Sobrepesca está a extinguir o tubarão anequim

O alerta foi lançado numa carta aberta subscrita por vários investigadores europeus, onde se destaca o português Nuno Queiroz. Se a Comissão Europeia não travar a pesca desenfreada aos tubarões, onde se incluem o anequim e o azul, a extinção estará próxima. Esta e outras histórias no podcast Ciência com Impacto

O apelo lançado recentemente pelos investigadores estava cientificamente fundamentado. Num artigo publicado na prestigiada revista Nature, Nuno Queiroz e os seus colegas demonstraram que as zonas alvo de pesca comercial intensa, em águas internacionais, estão a sobrepor-se às áreas de maior importância ecológica para os tubarões - como o anequim, o branco e o azul. E que os stocks destas espécies estão a diminuir perigosamente.

Apesar da inação das autoridades políticas de Bruxelas, que se recusam a impor novas limitações a este tipo de pesca, o investigador português acredita que ainda é possível salvar da extinção esta rara espécie de tubarão.

Mas o anequim não é a única espécie de tubarão que está em risco. O mesmo sucede, por exemplo, com o tubarão-azul. O problema é que as artes de pesca ao atum e ao espadarte são indiferenciadas e matam tudo o que cai nas linhas dos palangres - que chegam a ter milhares de anzóis e estendem-se por quilómetros. Para agravar a situação, a procura de barbatanas de tubarão para o mercado chinês faz com que todo o resto da carcaça do animal seja lançada à água.

Nuno Queiroz também tem estudado o impacto que as alterações climáticas estão a ter no oceano e de que forma é que o aquecimento das águas, o aumento da acidez ou a diminuição de oxigénio está a afetar os predadores e os superpredadores. Uma investigação essencial para se conhecer a futura evolução das populações de peixes.

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Um conteúdo DN / Ciência com Impacto, projeto coordenado pelo jornalista Paulo Caetano.

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