Investigação conclui haver efeito conjunto de genes

A origem genética da esquizofrenia resulta do efeito conjunto de um número alargado de genes, e o aprofundamento do conhecimento desses mecanismos ajudará a tratar a doença, revela um estudo internacional participado pela Universidade de Coimbra.

Psiquiatras do Instituto de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) fizeram parte de uma equipa de investigadores europeus e norte-americanos que confirmou as causas da vulnerabilidade genética para a esquizofrenia, cujos resultados são revelados em artigo da revista "Nature".

"Cada gene individualmente tem um efeito muito pequeno. Só a soma de todos esses genes é que determinam o efeito geral", explica António Ferreira de Macedo, investigador da FMUC que, com Maria Helena Pinto de Azevedo, é um dos co-autores do artigo publicado na edição da última quarta-feira daquela revista.

Uma nota de imprensa do gabinete de comunicação da Reitoria da Universidade de Coimbra refere que o estudo permitiu identificar associações significativas num gene do cromossoma 22, numa vasta região do cromossoma 6, e num gene localizado no cromossoma 2, mas acrescenta que, não obstante o predomínio genético, para a doença contribuem ainda factores ambientais.

"Se forem descobertos os mecanismos causais da doença poderão ser desenvolvidos fármacos que intervenham melhor nesses mecanismos", explica o investigador António Ferreira de Macedo.

O estudo desenvolvido pelo Consórcio Internacional para a Esquizofrenia comparou ainda os resultados obtidos com amostras de doentes bipolares, concluindo que um número significativo dos genes envolvidos no caso da esquizofrenia é comum à doença bipolar.

A amostra, que reuniu os dados recolhidos ao longo de vários anos por diversos centros de investigação europeus, nomeadamente da FMUC, envolveu 3.322 europeus portadores de esquizofrenia e 3.587 pessoas no grupo de controlo (pessoas sem a doença).

Segundo a mesma nota de imprensa, estes resultados complementam as conclusões já alcançadas pelo Consórcio Internacional para a Esquizofrenia em 2008, também publicadas na "Nature", que indicavam a existência de algumas poucas alterações genéticas de maior efeito, mas em situações mais raras.

A esquizofrenia é considerada uma doença mental grave que atinge cerca de um por cento da população em todo o mundo. Expressa-se por alucinações, delírios e défices cognitivos e é comum manifestar-se no final da adolescência ou no início da vida adulta. Apesar dos tratamentos, a doença tende a tornar-se crónica, gerando incapacidades nos seus portadores.

O Consórcio Internacional para a Esquizofrenia foi criado em 2006 e é constituído por vários centros de investigação norte-americanos e europeus, em que se inclui o Instituto de Psicologia Médica da FMUC e a Clínica Universitária de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

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