Na dúvida, o melhor é seguir a intuição

Estudo coordenado por diretor do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, em Lisboa, mostra que há decisões em que não é preciso mais tempo para pensar

Na dúvida, seguir a intuição quando é preciso tomar uma decisão pode ser a melhor a escolha. É isso, pelo menos, que sugerem os resultados de um estudo liderado pelo investigador Zachary Mainen, diretor do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, que hoje é publicado na revista científica Neuron.

A equipa, que incluiu investigadores da Universidade de Harvard, e dos centros de investigação Cold Spring Harbour e Merck, nos Estados Unidos, testou a capacidade de decisão de ratos em laboratório e verificou que ela não melhorava necessariamente se os animais tivessem mais tempo para fazer a escolha que lhes era apresentada na experiência.

Os animais tinham sido previamente treinados para escolherem entre dois odores diferentes e tinham que decidir que odor lhes era apresentado num dado momento, optando por seguir através de um corredor ou de outro.

"O que pretendíamos era perceber se os ratos melhoravam a sua capacidade de escolha quando tinham mais tempo para integrar a informação", afirmou ao DN Zachary Mainen. "Ficámos surpreendidos quando verificámos que isso não acontecia assim, ou seja, mesmo com mais tempo, as suas taxas de erro não diminuíram", sublinhou o mesmo investigador.

Na prática, o tempo máximo de que os ratos necessitavam para tomar a sua decisão era de 300 milissegundos e o seu melhor desempenho foi sempre alcançado dentro desse curtíssimo período. Com mais tempo para pensar - um segundo, por exemplo -, os seus resultados não melhoraram, o que indica que a primeira resposta, portanto a mais imediata, ou intuitiva, era a melhor naquela situação.

Estes resultados deverão poder aplicar-se também às pessoas em situações parecidas com as destes ratos, em que o que está em causa é fazer escolhas no âmbito de tarefas em que se é bastante experiente, ou perito, como acontece com atletas ou pilotos, por exemplo, mas também noutras situações comuns da vida em que existe muita experiência, ou treino . "Estamos já a fazer estudos em humanos e a idealizar outros testes e tudo indica que será assim também com as pessoas", diz Zachary Mainen. Ou seja, num momento de dúvida, o ideal é mesmo seguir a intuição.

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