Portugal foi espiado ao introduzir espécies exóticas

Portugal foi um dos pioneiros na Europa na introdução de espécies exóticas e, no início do século XX, a Espanha fez espionagem para conhecer os resultados e os poder utilizar, revelou hoje um investigador.

Ignacio Pereda, ao proferir hoje uma conferência num seminário organizado pelo Observatório do Risco OSIRIS, do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, disse que os espanhóis "vinham em viagem de estudo, que eram de espionagem, para ver o que os portugueses estavam a fazer com eucaliptos".

Esta curiosidade científica e económica dos espanhóis desenvolveu-se antes da II Guerra Mundial e, tempos depois, a partir dos anos 30, também agrónomos portugueses passaram a fazer o mesmo, com estágios em Espanha.

Ignacio Pereda, director do EURONATURA -- Centro para o Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentado, uma organização não governamental com sede em Lisboa, adiantou que havia curiosidade sobre o que os portugueses estavam a fazer com acácias e eucaliptos, em viveiros em várias matas.

Na sua perspectiva, uma das razões para o pioneirismo dos portugueses na introdução de exóticas terá sido o clima, porque algumas espécies de eucaliptos provinham de zonas tropicais.

Segundo Ignacio Pereda, nessa altura não se tinha a noção dos riscos das espécies exóticas e, nos anos 50, pensava-se que poderiam ajudar a combater doenças que afectavam espécies nativas.

O eucalipto passou também a ser a solução para a indústria emergente de pasta de papel, acrescentou.

Helena Freitas, docente da Universidade de Coimbra e directora do Jardim Botânico recordou que este foi um espaço de experimentação de espécies que vinham do estrangeiro, para avaliar do seu interesse económico.

Terá sido o próprio Jardim Botânico da Universidade de Coimbra um dos primeiros locais onde se formularam propostas sobre o interesse comercial do eucalipto.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG