Acredite, a Terra NÃO vai passar seis dias na escuridão

O rumor de que vem aí um período de seis dias de escuridão, que tem circulado nas redes sociais, não tem qualquer ligação com a realidade. As explosões solares, apontadas como a causa, não podem causar escuridão diurna.

Uma notícia falsa num website satírico tem sido partilhada repetidamente nas redes sociais. O artigo do Huzlers.com afirma: "A NASA confirmou que a Terra vai passar 6 dias de escuridão quase completa". A história convenceu muitos, que usaram o Twitter e o Facebook para expressar a sua preocupação, mas não é verdadeira.

A notícia diz que a escuridão seria causada por tempestades solares de maior intensidade entre os dias 16 e 22 de dezembro. Algo que simplesmente não é possível. É um facto que as tempestades solares não podem causar escuridão diurna. Aliás, a NASA não fez qualquer anúncio, muito embora a "notícia" que se tornou viral cite supostos altos responsáveis da Agência Espacial Norte-Americana.

As explosões solares podem interferir na atmosfera terrestre, confirma ao Diário de Notícias o astrónomo Máximo Ferreira, do Centro Ciência Viva de Constância, uma interferência que ainda que seja improvável, pode de facto perturbar alguns sistemas elétricos. "Algumas zonas podem ficar sem iluminação noturna" durante um período de explosões solares mais intensas, concede o astrónomo, mas "só se tem ideia de uma vez que isso tenha acontecido" com um impacto maior: no Canadá há cerca de dez anos.

Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa, explicou à Lusa que o Sol se encontra "num ciclo de atividade máxima, num pico de 11 anos", mas as explosões solares não afetarão Portugal. "O impacto na vida é, eventualmente, a possibilidade remota e muito localizada de haver uma falha na distribuição elétrica, mas em geral são casos pontuais", sublinhou Rui Agostinho.

O rumor falso espalhou-se pelas redes sociais

A notícia do Huzlers não é verdadeira, mas ganhou circulação. O site incentiva os seus leitores a usarem a hashtag #6DaysOfDarkness (seis dias de escuridão) para partilharem nas redes sociais o que vão fazer com o seu tempo passado às escuras.

Máximo Ferreira diz que as redes sociais facilitam muito este espalhar de rumores científicos, citando outros exemplos célebres como o rumor que ressurge ciclicamente de que Marte surgirá no céu do mesmo tamanho que a Lua, ou de que a Terra vai começar a girar na direção contrária. "E mesmo que quiséssemos, quase nunca somos capazes de chegar à fonte dos rumores, porque as coisas são lançadas na Internet e vão sendo transmitidas", afirma o astrónomo.

"É por isso que em muitos países, e, apesar de tudo, em Portugal também, nos preocupamos muito com a divulgação científica", esclarece Máximo Ferreira, que acredita que o nível de interesse que as pessoas têm na ciência tem um impacto na partilha acrítica destas notícias.

"O que podemos dizer é que a falta de condições para continuarmos a ter programas que levem as pessoas a confiar mais na ciência vai agravando a situação", acrescenta.

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