Cidadãos querem discutir as mudanças que estão a acontecer em Algés

Novos moradores, emigração, problemas de mobilidade e falta de equipamentos em Algés são alguns dos problemas que o grupo de cidadãos Desafiar Algés quer debater e ajudar a resolver. O segundo encontro realiza-se este sábado.

A segunda parte do Fórum Pensar Algés terá lugar na tarde do próximo sábado, dia 15 de fevereiro. Organizado pelo grupo de moradores Desafiar Algés o encontro vai discutir a caracterização económica - com a intervenção do professor e ex-ministro da Economia Augusto Mateus - e a cultura e o desporto da vila.

A reunião, que terá lugar na Escola Secundária de Miraflores, tem entrada gratuita com inscrição obrigatória. Esta é o segundo encontro, o primeiro decorreu a 1 de fevereiro tendo sido discutidos temas como mobilidade urbana e arquitetura e paisagem urbana.

O grupo Desafiar Algés nasceu em fevereiro de 2019 e desde aí tem criado uma rede de contactos, sobretudo através do Facebook. De acordo com Helena Abreu, do núcleo de fundadores, o grupo "reúne moradores cansados de ver nas redes sociais os problemas de Algés. Por isso começamos a juntar-nos e somos cada vez mais pessoas". Na rede social Facebook contam com 522 membros.

Outra das fundadoras, Chiara Ternullo, arquiteta italiana natural de Catania, Itália, a viver em Algés há 18 anos explica que não existe nenhuma formalidade no grupo, não somos associação, mas sim uma rede ligada pelo Facebook que junta pessoas que gostam de Algés. Convidamos as pessoas para partilhar ideias de como se resolvem alguns dos problemas, não temos a arrogância de saber todas as soluções, mas queremos estimular a conversa para se arranjar soluções para os problemas".

A mudança demográfica da vila é óbvia, sobretudo nos últimos anos e sente-se todos os dias, diz José Capela, outro dos fundadores do Desafiar Algés. "A população idosa está a morrer e as casas habitadas estão a ser vendidas a quem tem maior poder de compra. Será que isso fará o bairro perder a sua identidade?", questiona.

André Cid, o quarto elemento o grupo que falou ao Diário de Notícias ajuda na reflexão. "Algés sempre foi um bairro de classe média, média baixa e Miraflores de classe alta. Mas a riqueza do bairro é mesmo essa mistura. Há o receio que a essência de bairro com as misturas sociais que existem se possa perder com a transformação demográfica. "Talvez a câmara pudesse criar arrendamentos de baixo custo", diz Chiara

Uma terra de não

Durante a conversa, o fenómeno da crescente emigração em Algés vem à baila. "Antes da crise económica as casas eram mais baratas e acessíveis, mas agora há fenómenos de muitos alugueres em quartos e até garagens com beliches que se alugam, temos de estar atentos a esse fenómeno", explica José Capela.

E também a mobilidade. Dizem que há falta de centralidade e de espaço público na vila. "Algés não tem uma praça, o teatro municipal está dentro de uma cave e não há um auditório. A avenida principal tem automóveis e lixo a mais", frisa Chiara. Helena Abreu acrescenta que Algés "é uma terra de não. Não temos acesso à praia, não temos um jardim digno do seu nome, não temos equipamentos, é uma espécie de aldeia de Astérix entalada entre vias de comunicação".

O grupo diz ainda não ter tido feedback da Câmara de Oeiras aos fóruns que tem organizado. O presidente da câmara, Isaltino Morais, foi convidado mas não vai estar presente no próximo sábado, explica Chiara. Mas deixa no ar que estão dispostos a debater para encontrar soluções para as mudanças que Algés está a enfrentar com ajuda e ideias de todos, câmara de Oeiras inclusive.

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