DocLisboa passa pela Culturgest, Londres e São Jorge

O sétimo festival de cinema DocLisboa, que começa quinta-feira, apresenta este ano cerca de 200 filmes, entre os quais a mais recente produção portuguesa, que a organização considera ter atingido a maturidade.

Até dia 25, o festival vai desdobrar-se entre a Culturgest e os cinemas Londres e São Jorge, propondo várias homenagens e retrospectivas, a presença de realizadores estrangeiros e filmes inéditos portugueses, produzidos este ano.

Haverá um ciclo dedicado aos Balcãs, pós-Jugoslávia, e foi feita uma selecção de filmes do ou sobre o Irão, repartidos por várias secções.

Destacam-se "Shirin", do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, "Letters to the President", de Petr Lom, e ainda "No One Knows About Persian Cats", de Bahman Ghobadi, um documentário sobre a cena indie-rock de Teerão.

Do cinema documental premiado lá fora, a organização escolheu, por exemplo, "The Fortress", de Fernand Melgar, Grande Prémio de Locarno em 2008, "Below Sea Level", de Gianfranco Rosi, premiada em Veneza e no Cinéma du Réel, "Boris Ryzhy", de Aliona van der Horst, prémio Silver Woolf, no Festival Internacional de Amesterdão.

O realizador lituano Jonas Mekas, apresentado pelo DocLisboa como "uma lenda viva do cinema", estará em Lisboa para uma retrospectiva da sua obra.

Mekas, de 87 anos e radicado nos Estados Unidos, apresentará alguns dos seus filmes do cinema vanguardista norte-americano, entre os quais os recentes "Lithuania an the collapse of the USSR" e "An american film director at work: Martin Scorcese", feitos este ano.

Além de Jonas Merkas, destaque para a presença em Lisboa do realizador francês Nicolas Philibert, que apresentará, em estreia europeia, o filme "Nenette" e estará três semanas na cidade para um atelier de realização com 15 jovens realizadores.

Pela primeira vez haverá um ciclo dedicado ao futebol e outro às histórias de amor, habitualmente retratadas na ficção, mas que também existem no cinema documental.

Haverá ainda uma pequena homenagem à bailarina e coreógrafa Pina Bausch, falecida este ano, com a exibição de três filmes, entre os quais "Lissabon Wuppertal Lisboa", de Fernando Lopes.

Quanto aos filmes portugueses, Sérgio Tréfaut, um dos directores do DocLisboa, declarou ser este "o ano de maior maturidade no documentário português".

Foram seleccionados 19 filmes para a competição e curtas e longas-metragens e nesta vertente contam-se documentários como "Com que voz", de Nicholas Oulman, sobre o pai, o compositor de fados Alan Oulman, "Bobby Cassidy", de Bruno de Almeida, sobre aquele pugilista norte-americano, e "Dundo, memória colonial", de Diana Andringa, sobre a localidade angolana onde a realizadora nasceu.

Este ano a secção de competição internacional apresenta-se remodelada, dividindo-se em três categorias: longas-metragens (mais de 60 minutos), médias (entre 30 e 60) e curtas (menos de 30 minutos).

Além do prémio para a melhor longa-metragem, este ano haverá um prémio para uma curta e um prémio para uma média, com júris diferentes.

A lista completa dos documentários portugueses em competição:

Longas-metragens:

"48" - Susana de Sousa Dias
"Bobby Cassidy - Counterpuncher" - Bruno de Almeida
"Com que voz" - Nicholas Oulman
"Dundo, memória colonial" - Diana Andringa
"Gente da Casa" - Carlos Gomes, Ruy Otero
"Lisboa domiciliária" - Marta Pessoa
"Luanda, a fábrica da música" - Inês Gonçalves, Kiluanje Liberdade
"Os esquecidos" - Pedro Neves
"Paredes meias" - Pedro Mesquita
"Pare, escute, olhe" - Jorge Pelicano

Curtas-metragens:

"Avant la corrida" - Edgar Pêra
"Entrevista com Almiro Vilar da Costa" - Sérgio Costa
"Himsagar Express" - João Chaves
"Listening to the silences" - Pedro Flores
"Mãe e Filha" - Catarina Mourão
"No Hia Ma" - Alejandro Campos
"Passando à de Zé Marôvas" - Aurora Ribeiro
"Reservado" - Paula Preto
"Territórios" - Mónica Baptista

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