DocLisboa apresenta obra sobre campos de concentração

Um documentário sobre a libertação dos campos de concentração nazis, recentemente restaurado pelo Imperial War Museum (Reino Unido) e que regista as atrocidades cometidas nos anos 1940, vai ser exibido em outubro no festival DocLisboa, foi hoje anunciado.

"German concentration camps factual survey" foi feito para denunciar os horrores dos campos de concentração e deveria ter sido exibido na Alemanha depois da queda do Terceiro Reich. No entanto, o filme acabou por ficar na gaveta e só agora ser restaurado e completado.

O documentário, que à época contou com Alfred Hitchcock na supervisão, teve estreia mundial este ano no festival de Berlim e é uma das obras destacadas pela direção do festival DocLisboa (16 a 26 de outubro), sendo exemplo do tema que atravessa esta 12ª edição: A relação do cinema com a História.

À boleia deste filme, o DocLisboa contará com mais de uma dezena de obras internacionais que são testemunhos de momentos históricos, como a curta-metragem "Après les combats de Bois-le-Prêtre" (1915), sobre a primeira guerra mundial, o filme "The Wall", sobre a Alemanha, e "Socialism", de Peter von Bagh, falecido na semana passada.

A propósito do finlandês Peter von Bagh, a direção do DocLisboa dedica toda a edição ao realizador, "figura ímpar e generosa do cinema mundial", escolhendo aquele filme para o encerramento.

A abertura dar-se-á com dois filmes: "Maidan", de Sergei Loznitsa, sobre os protestos na Ucrânia, e com "Ai Wei Wei Apppeal 15,220,910.50", daquele ativista e artista plástico chinês.

A programação, que já tinha sido parcialmente apresentada em julho, contará com "uma grande diversidade de filmes" representativos de 40 países e com 42 filmes portugueses, "atestando a enorme vitalidade e um interessante encontro de gerações", disse Cítia Gil, da direção.

A competição nacional de longas-metragens inclui os filmes "Flor azul", de Raul Domingues, "Mio Pang Fei", de Pedro Cardeira, "Volta à terra (be)longing", de João Pedro Plácido, "As cidades e as trocas", de Luísa Homem e Pedro Pinho, "A lã e a neve", de João Vladimiro, "Pára-me de repente e pensamento", de Jorge Pelicano, e "João Bénard da Costa - outros amarão as coisas que eu amei", de Manuel Mozos.

A competição portuguesa de curtas apresenta "Metáfora ou a tristeza virada do avesso", de Catarina Vasconcelos, "Um filme perdido", de Eduardo Amaro, "Teares", de Mónica Baptista, "o Indispensável treinado da vagueza", de Filipa Reis e João Miller Guerra, e "Moto Maeva", de Maureen Fazendeiro.

Fora de competição serão mostrados "Triângulo dourado", de Miguel Clara Vasconcelos, e "Four", de João Botelho. Na competição internacional estão "Lisbon revisited", de Edgar Pêra, e "Snakeskin", de Daniel Hui.

A direção tinha já anunciado programas especiais para os realizadores Eduardo Coutinho (Brasil), Alain Resnais (França) e Harun Farocki (Alemanha), assim como uma retrospetiva do realizador holandês Johan van der Keuken.

O ciclo "neo-realismo e novos realismos" apresenta obras de Luchino Visconti, Nelson Pereira dos Santos, Dino Risi, Vittorio di Sica, Pedro Costa ou Michelangello Antonioni.

A secção "Heartbeat", sobre música e artes de cena, incluirá - além dos anunciados "Fado Camané" e "Berlin" - filmes como "Pulp: A film about life, death & supermarkets", de Florian Habicht, e "Die Generalprobe", de Werner Schroeter, sobre Pina Bausch.

Nesta 12.ª edição, o festival continuará a estar presente na Culturgest, no Cinema São Jorge, na Cinemateca e no Fórum Municipal Romeu Correia (Almada) e contará com dois novos espaços de exibição: o Cinema Ideal, no Bairro Alto e o Cinema City Campo Pequeno.

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