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Antecipar é preciso

Se a pandemia poderia ter sido evitada, como alertaram ontem peritos mandatados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), imagine-se o que poderia ter sido acautelado na noite em que o Sporting se sagrou campeão! Vamos ao primeiro tema, a pandemia: segundo os entendidos e personalidades que compõem o Painel Independente, a convite da OMS, é urgente fazer vastas reformas dos sistemas de alerta e prevenção para evitar novas pandemias. Num relatório, o mesmo painel considera que a OMS demorou demasiado tempo a fazer soar o alerta e que teria sido possível evitar a catástrofe classificada como "Chernobyl do século XXI", que já custou a vida a pelo menos 3,3 milhões de pessoas e provocou uma crise económica mundial. "É claro que a combinação de más escolhas estratégicas, falta de vontade de atacar as desigualdades e um sistema mal coordenado criaram um cocktail tóxico que permitiu à pandemia transformar-se numa crise humana catastrófica", revela o mesmo relatório. Um ataque feroz às autoridades de saúde mundiais. Os peritos reforçam: "Muito tempo se passou" entre a notificação de um foco epidémico na China, na segunda quinzena de dezembro de 2019, e a declaração, a 30 de janeiro pela OMS, de uma emergência de saúde pública de âmbito internacional. Isto enquanto a China foi acusada de camuflar a epidemia.

A política e as suas consequências

A situação dos imigrantes em Odemira não é nova, mas revela bem como, por vezes, as autoridades têm a capacidade de fingir que não veem uma realidade à vista de todos. Foram precisas a pandemia e a requisição civil do Zmar para que o verniz estalasse. A imigração é um dossiê na alçada do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. Também a situação do imigrante morto às mãos do SEF, o ucraniano Ihor Homeniuk - caso que o DN denunciou e acompanhou detalhadamente -, foi e é um dossiê da Administração Interna, ministério que anunciou uma reestruturação daquele Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Aliás, ainda está por demonstrar que essa proclamada renovação seja suficiente para respeitar realmente os direitos humanos dos imigrantes que chegam ao nosso país. A inabilidade com que estes temas têm sido geridos é gritante e é, cada vez mais, um desconforto político para o governo socialista.

Cimeira Social e a Europa em marcha

A importância do Estado social foi reafirmada no Porto, na cimeira que ainda decorre durante o dia de hoje e que junta vários líderes europeus. A pandemia mostrou, e bem, como o papel do Estado pode ser importante em momentos críticos da civilização. Durante o último ano, podia ter sido melhor e mais ágil? Podia, claramente. Mas desinvestir do Estado social só nos deixaria mais frágeis e impreparados para enfrentar as próximas grandes crises e pandemias que, segundo os especialistas na área da saúde e do ambiente, deverão tornar-se mais vulgares.

Ver para crer como São Tomé

Todos os caminhos vão dar ao Porto, hoje, onde arranca a Cimeira Social. Este acontecimento poderá fazer história na União Europeia, já que, pela primeira vez, todas as instituições da Europa e parceiros sociais deverão assinar um acordo para a implementação do Plano de Ação sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais. O primeiro-ministro acredita na importância deste "marco histórico". Já os trabalhadores europeus querem ver para crer, como São Tomé, e perceber em que é que tudo isto se traduz, na prática, em termos de proteção dos seus direitos.

Viagem de Odemira ao Porto

O teletrabalho, ontem amplamente debatido na Assembleia da República, não pode ser pretexto para abusos por parte das entidades empregadoras. Não pode permitir, sem lei, a invasão do espaço privado nem dizimar o pouco que resta do equilíbro desiquilibrado que tantos portugueses vivem no que toca à relação entre tempo de trabalho e tempo de qualidade para a família. Durante mais de um ano, os agregados familiares aguentaram uma realidade nova e imposta e suportaram, com sacrifício, no orçamento doméstico despesas inesperadas, como a aquisição de computadores portáteis, avultados custos com telefones, internet, água e luz.

A mãe República e os seus filhos

Maio de 2021 começa com maior esperança na contagem decrescente para o fim da pandemia, após mais de um ano de medidas restritivas em nome da saúde pública. Em Portugal, os primeiros dias de maio são marcados por três imagens. A primeira em redor do trabalho, como, por exemplo, a polémica em torno da situação pandémica da comunidade imigrante no concelho de Odemira e o recurso à figura da requisição civil de um espaço privado. A segunda por cenas de ajuntamento de jovens a beber no centro histórico de Lisboa, em festa sem uso de máscara, quando as autoridades alertam para que ainda não é tempo de baixar a guarda. A terceira é a reação dura de Rui Rio às críticas de António Costa, feitas numa entrevista exclusiva ao DN, JN e TSF, a propósito da imagem de "cata-vento" e da insinuação do líder do PS de colagem de Rui Rio a ideias de extrema-direita.

Trabalho, justiça e independência

A força do trabalho consegue mover o mundo, transformá-lo, reinventá-lo e, mesmo quando tudo parece difícil no mercado laboral, pode ter a energia necessária para fazer com que os projetos renasçam das cinzas. Por tudo isso, pelo esforço, dedicação e suor, é sempre tempo de homenagear todos os trabalhadores (mulheres e homens) que, dia após dia, arregaçam as mangas e enfrentam a crise provocada pela pandemia, como se não houvesse amanhã. O calcanhar de Aquiles do trabalho, em Portugal, prende-se com a produtividade. Contudo, essa só se alcança com foco, motivação, espírito de equipa e boa gestão com estratégia. A ausência de uma gestão profissional e verdadeiramente conhecedora do negócio e do potencial do talento é, aliás, outra fraqueza das empresas no nosso país, conforme apontam estudos de várias instituições de referência.

"Um cata-vento, ao menos, tem pontos cardeais. Rui Rio não tem"

Mede cautelosamente todas as palavras sobre o caso que domina a Justiça, mas como secretário-geral do PS não esconde o incómodo com o julgamento (público) de Sócrates. Desfere críticas incisivas à contaminação do PSD pelas ideias do Chega. Nem os altos e baixos da governação, nem a crise sanitária e social parecem abalar a segurança de um primeiro-ministro confiante em alcançar todos os objetivos na Presidência da UE.

"Teletrabalho deixa de fazer sentido com fim do estado de emergência"

O maior produtor de cortiça do mundo está em Portugal, é a Corticeira Amorim, da qual António Rios Amorim é presidente do conselho de administração. Num país responsável por 50% da produção global, aponta: "No PRR faltam medidas para promover exportações." Defende que para "tratar o fim da pandemia é preciso um plano agressivo de promoção do país", teme pelo desemprego "muito dependente do turismo" e não acredita numa crise política no Orçamento do Estado.

Nietzsche e a maratona

Amanhã será o último dia do estado de emergência. Uma notícia que ficará para a história deste ano de 2021. Após quase meio ano neste estado, os números da pandemia permitiram, finalmente, terminar com esta medida drástica. O Presidente da República decretou o fim do mesmo após dia 30, mas também deixou o aviso de que não hesitará em avançar com novo estado de emergência, se necessário for. Ainda não estamos livres da covid-19 e o risco de novas variantes persegue-nos. Aliás, hoje mesmo o Conselho de Ministros reunir-se-á para discutir ainda as medidas para o plano de desconfinamento em curso (com a última fase marcada para 3 de maio).

Falta cumprir uma liberdade

O país voltou a festejar a liberdade no domingo. Contudo, há pelo menos uma importante liberdade ainda não conquistada em abril de 2021: a de movimentos. A Avenida da Liberdade, em Lisboa, encheu-se de portugueses e portuguesas para assinalar o dia da revolução dos cravos. Pessoas a mais para distâncias a menos. Apesar da favorável evolução do número de infetados e de mortes por covid-19, o estado de emergência foi decretado até dia 30 deste mês, a pandemia ainda não desapareceu e os portugueses não atingiram a imunidade de grupo. É bom termos isto sempre presente nas nossas vidas, de cada vez que aspiramos à liberdade total e à aproximação social e física.

As boas notícias também merecem um título

Quatro boas notícias: 1) há quase sete meses que não havia tão poucos internados por covid-19 nas unidades hospitalares de cuidados intensivos; 2) podemos ter imunidade de grupo em junho, se seguirmos o plano de vacinação à risca, disse o bastonário da Ordem dos Médicos ao Diário de Notícias; 3) a União Europeia acaba de fechar um acordo para a compra de mais 1,8 mil milhões de doses da vacina da Pfizer, tratando-se do terceiro acordo entre a UE e o consórcio Pfizer/BioNTech para a aquisição de doses da vacina contra a covid-19. Com o novo acordo para a vacina da Pfizer será possível inocular com esta vacina (que ainda necessita de duas doses) os 450 milhões de habitantes da UE nos próximos dois anos. E 4) na área económica há também uma boa nova: a criação de um novo centro de dados em Sines que vai gerar 1200 postos de trabalho - altamente qualificados. O contrato foi assinado ontem. Trata-se de um novo investimento na área tecnológica, que passa por um centro de armazenamento de dados informáticos e que implicará uma aposta até 3500 milhões de euros. O projeto denomina-se Sines 4.0 e é desenvolvido pela empresa Start Campus, detida por um fundo de investimento norte-americano e por uma empresa britânica especializada em infraestruturas. Este investimento quer dar resposta à crescente procura dos gigantes mundiais da tecnologia, fornecedoras de serviços de streaming, redes sociais, comércio eletrónico ou videoconferências. Um negócio do presente e do futuro.