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OE 2022. Negociar até ao último minuto

As negociações para o Orçamento do Estado deverão manter-se até ao último minuto ou, como se diz na minha terra, "até ao lavar dos cestos é vindima". Bloco de Esquerda (BE), Partido Comunista Português (PCP), Os Verdes e o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) já foram ouvidos. O BE acusou ontem o governo de não estar a fazer um esforço de aproximação à esquerda. Mas "todos estão a trabalhar", garante o primeiro-ministro, António Costa. Até agora só há uma certeza: ainda não há luz verde para o OE 2022.

O novo homem forte da segurança inspira-se em Gouveia e Melo

Durão Barroso e Passos Coelho elogiam a escolha de António Costa. Enfrentou Jonas Savimbi e teve armas apontadas à sua cara em Angola, conheceu Bill Clinton, Vladimir Putin e é um apaixonado pela Rússia. O embaixador Paulo Vizeu Pinheiro tem a diplomacia no seu ADN. Corre nas suas veias sangue chinês, indiano, inglês e judeu e atribui a isso parte do seu gosto por entender os outros e fazer pontes. O novo secretário-geral do Sistema de Segurança Interna quer valorizar e responsabilizar os chefes das polícias e das secretas, usando a sua maior vocação - ser diplomata

"Busca do prestígio" pode ser "doença do espírito"

A sabedoria e a forma como usa as palavras continuam a surpreender-nos. O Papa Francisco fez referência aos três ataques que ocorreram nos últimos dias, em três países, e veio lembrar ao mundo que "a violência é uma derrota para todos", durante a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, no Vaticano, em Roma. O Papa referiu-se ao ataque de quarta-feira na cidade norueguesa de Kongsberg, quando um homem armado com um arco e flechas matou cinco pessoas; ao atentado suicida contra uma mesquita xiita no sul do Afeganistão, que causou pelo menos 60 mortes; e ao assassínio do deputado conservador britânico David Amess, na sexta-feira, quando estava a reunido com eleitores do seu círculo eleitoral, no leste de Inglaterra.

Um grito de alerta, um sinal de esperança e um tributo às famílias

ExclusivoEm entrevistas ao DN, Bruno Gascon e Ana Moreira, realizador e atriz principal de Sombra, que estreou quinta-feira nas salas de cinema, explicam como foi mergulhar na dúvida permanente que toma conta do dia a dia das famílias com crianças desaparecidas e como procuraram retratar essa realidade com justiça. Acreditam que o filme pode ajudar a despertar consciências e salientam a forma corajosa como estes pais e mães sobrevivem, todos os dias, perante a ausência por explicar dos filhos.

Inovar. Há vida para além da política

A inovação é um motor do desenvolvimento dos países. A par com uma política fiscal atrativa, um sistema de justiça eficaz e outros custos de contexto controlados - como a burocracia -, inovar é um dos pilares centrais de suporte ao futuro. Não basta inovar apenas na política e na forma como se teatralizam cenários de chumbo de um Orçamento do Estado ou de eleições antecipadas; a capacidade inovadora tem de ir para além disso. Tem de contagiar a economia, o ensino e a sociedade em geral, pois uma atitude empreendedora e criativa é uma via verde para o progresso e crescimento.

O campo de forças do teatro político

Vivemos dias de pura encenação política ou o Orçamento do Estado para 2022 pode mesmo não passar? A cada ano, sempre que o OE vem para cima da mesa dos partidos e é entregue no parlamento começa o teatro. Nada de mal nisso. Faz parte do exercício da política e quem melhor desempenhar o seu papel mais aplausos poderá ter da sua fiel plateia. Contudo, neste ano, as posições extremaram-se mais do que é habitual. A ameaça de uma crise política tornou-se evidente nos últimos dias. À esquerda, Partido Comunista e Bloco querem fazer prova de vida e mostrar ao Partido Socialista que as alianças formais ou informais não são favas contadas. E têm vindo a esticar a corda. Só fortes cedências em matéria de legislação laboral, aposta no Serviço Nacional de Saúde e incremento dos salários públicos poderão evitar que a corda rebente e anular o chumbo (já anunciado por ambos) na votação na generalidade do OE 2022, agendada para o dia 27 de outubro.

OE 2022. Leão, Asterix e a poção mágica 

O Orçamento do Estado está entregue e apresentado, em modo corrida-estafeta. A famosa pen foi entregue no Parlamento a 23 minutos do prazo estipulado (meia-noite de dia 11) e logo de manhã (pouco depois das 9h) o seu conteúdo estava a ser explicado aos jornalistas na Praça do Comércio. João Leão, qual Asterix, parece ter tomado a poção mágica do otimismo, que combina algum expansionismo com controlo do défice (3,2%) para 2022. Mas, ao olharmos para o caldeirão do Orçamento, será a dose realista ou moderada?

Não é tempo para ilusionismos

O país respira mais confiança. O turismo está de regresso e tem futuro neste território à beira-mar plantado. Nas ruas, de norte a sul, voltamos a ver e a ouvir os turistas a puxarem os seus trolleys, a agitação dos tuk-tuks, aviões no ar e, no caso de Lisboa, os cruzeiros de grande porte já voltaram a atracar no rio Tejo. O mesmo está a acontecer nos arquipélagos dos Açores e da Madeira que, neste ano, foram redescobertos pelos lusitanos e atraem cada vez mais estrangeiros. Sim, o turismo tem futuro e as exportações nacionais agradecem! Há muito caminho para fazer, mas cada vez com "mais sustentabilidade", como afirmou Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, na conferência "Pandemia, e depois? A sustentabilidade como resposta", que decorreu nesta quinta-feira, em Cascais.

OE 2022 de olho nas legislativas 2023

O Orçamento do Estado para 2022 vai ser um exercício ao estilo ginástica acrobática. Após uma pandemia que levou ao tapete o tecido empresarial, as contas para o ano que vem exigem de António Costa um esforço suplementar nas acrobacias políticas para tentar agradar em várias frentes. A começar pelas preocupações sociais, cuja necessidade de respostas ganhou ainda mais urgência com a covid-19. Emprego, pensões, salário mínimo e rendimento das famílias em geral, educação e saúde pública e, claro, investimento. Nenhuma destas componentes pode ser esquecida depois dos efeitos pandémicos e a oposição pressiona nesse sentido. Por outro lado, a evolução do défice também não pode ser relegada para segundo plano e a preocupação com as contas certas continua.