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O falhado golpe de judo contra Israel

Tal como na Antiga Grécia, os modernos Jogos Olímpicos supõem uma mensagem de paz. Infelizmente, desde a sua recriação em 1896, não faltam os exemplos de fracasso nesse nobre desejo: não só os beligerantes das duas guerras mundiais não hesitaram um segundo em prosseguir as hostilidades mesmo com a aproximação dos verões de 1916, 1940 e 1944, como os Jogos foram ao longo do século XX alvo de vários boicotes, os mais célebres sendo os de Moscovo 1980 e os de Los Angeles 1984.

Os Jogos de Tóquio não são um jogo da Nintendo

Shinzo Abe, vestido de Super Mario, heróis dos jogos de vídeo da japonesa Nintendo, foi uma improvável estrela dos Jogos Olímpicos 2016. No Rio de Janeiro, na passagem de testemunho para Tóquio 2020, o primeiro-ministro enviava ao mundo a mensagem clara de que pretendia que 2020 fosse uma celebração da pujança económica reencontrada do Japão. Uma versão no século XXI dos Jogos de 1964, igualmente realizados em Tóquio, que serviram para exibir o Japão do milagre económico, renascido das cinzas da Segunda Guerra Mundial.

Bilionários, a nova arma secreta no espaço 

Anousheh Ansari, que entrevistei há dias para o DN, gastou uma fortuna para ser astronauta, um sonho para a engenheira de telecomunicações nascida no Irão mas que fez toda a carreira nos Estados Unidos. Aquando do voo, em 2006, Ansari foi descrita como uma turista espacial, no fundo pagando do seu bolso para voar com os russos até à Estação Espacial Internacional. O pioneiro nessa matéria tinha sido o empresário americano Dennis Tito, que em 2001 admitiu que ir ao espaço lhe tinha custado 20 milhões de dólares.

Partido Comunista ou Partido Confucionista?

Para se perceber a mentalidade da liderança chinesa neste momento histórico em que o Partido Comunista se prepara para celebrar, a 1 de julho, o centenário é preciso remontar não a 100, mas a 102 anos. O chamado Movimento de 4 de Maio, de início um protesto estudantil na primavera de 1919, em Pequim, contra o tratamento injusto dado em Versalhes à China pelos vencedores da Primeira Guerra Mundial, tornou-se no rastilho revolucionário que levou, em 1921, à fundação do PC Chinês na cosmopolita Xangai. Ou seja, foi mais uma humilhação à China, pois o Tratado de Versalhes cedeu território chinês ao Japão, que levou jovens intelectuais como Mao Tsé-tung a fundar um partido que se via como o salvador do país, no caos depois da queda da dinastia Qing.

O mergulhador das 10 mil horas e o mar português

Todos os perfis de Alan Friedlander realçam que o professor da Universidade do Havaí passou mais de 10 mil horas debaixo de água. E em todo o tipo de mares, desde as zonas polares até às imediações do Equador. O cientista americano, que é entrevistado nesta edição de domingo do DN, também já mergulhou, e muito, em Portugal, desde as Selvagens ao Algarve, da Arrábida aos Açores. E é neste arquipélago no meio do Atlântico que contribui para um ambicioso programa de proteção marinha, o Blue Azores, que visa abranger 15% das águas açorianas e até 2030 fazer essa percentagem duplicar. Tudo em nome de uma economia sustentável, que permita às populações, com séculos de ligação ao mar, continuar por muitos anos a ir lá buscar o sustento, com toda a naturalidade.

"O choco frito de Setúbal, à antiga, com azeite e alho, é mais rijo, mas é tão bom"

A vista do Okah é espectacular, com o Cristo Rei e a Ponte 25 de Abril em destaque no céu azul, mas não deixo de comentar com Luís Barradas, chef setubalense deste restaurante lisboeta, que até parece traição o nosso brunch ter o Tejo em fundo e não o Sado, o nosso Sado, o rio da cidade onde ambos nascemos. Mas tal como eu trabalho num jornal lisboeta, agora com sede perto do estádio do Benfica, o Luís ganha a vida num dos sítios mais bem frequentados do cais da Rocha do Conde Óbidos, com um Rooftop onde se pode comer uma tábua de queijos e enchidos (o nosso "brunch" das 17 horas!) ou o restaurante propriamente dito, que na apresentação fala do meu convidado/anfitrião assim: "O nosso chef Luis Barradas vive e trabalha entre dois rios, mas é pelo Sado que nutre o verdadeiro amor. O seu estuário está repleto de uma fauna e flora incríveis e pelas suas margens colhe, pesca e coleta vários dos ingredientes que utiliza na sua cozinha. Esta caracteriza-se por uma alma profundamente portuguesa mas com um sentimento japonês, impossível de dissociar da sua paixão por este país do Oriente, o qual visitou, onde trabalhou e estagiou diversas vezes levando sempre a sua cidade ao peito".