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Quando português é sinónimo de doce

Quando um jornal de Calcutá escreve "há duas épocas na história dos doces bengalis - antes e depois dos portugueses" está a prestar homenagem a uma parte dos Descobrimentos que muitas vezes passa despercebida entre polémicas sobre se éramos mais comerciantes ou mais cruzados ou se as caravelas dos nossos reis traficavam mais ou menos escravos do que as dos outros monarcas europeus - a capacidade para misturar, neste caso tradições culinárias de sítios distantes 9 mil quilómetros, tantos como os que separam Lisboa da capital do estado indiano do Bengala Ocidental.

Lanças turcas em África, incluindo na lusófona

Angola, um dos três maiores exportadores de petróleo em África, recebeu agora a visita do presidente turco, num périplo que o leva também à Nigéria (outro gigante petrolífero) e ao Togo e eleva para 30 o número de países do continente que Recep Erdogan já visitou nestas quase duas décadas no poder em Ancara, primeiro como chefe do governo e depois como chefe do Estado. É impossível não identificar uma clara estratégia para África por parte do líder turco, não só por causa das constantes visitas, mas também pela multiplicação do número de embaixadas. São já 43, e a 44.ª deverá ser aberta talvez ainda neste ano em Bissau, na sequência de uma visita à Guiné no final de 2020 pelo ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlüt Çavusoglu, personalidade que pelo cargo e pela confiança pessoal é o braço direito de Erdogan nesta ofensiva diplomática que tem muito de económica.

“Visão de D. João VI como medroso que abandonou o povo foi propaganda de Napoleão"

Em 1821-O Regresso do Rei, Armando Seixas Ferreira conta a viagem e a chegada de D. João VI a Lisboa, 13 anos depois de ter partido com a Corte para o Brasil, onde fez do Rio de Janeiro a capital do Império, evitando assim a captura pelos invasores franceses, como acontecera ao seu cunhado, Fernando VII de Espanha. Jornalista a fazer uma incursão pela história, o autor enquadra bem toda a época, sobretudo o impacto dos anos brasileiros do rei.

Noruega, de Utoya a Kongsberg

Visitei pela primeira vez a Noruega em 2005, um ano muito especial: celebravam o centenário da independência, conseguida em 1905, graças a uma separação pacífica da Suécia. Curiosamente, dos tempos dessa união entre escandinavos ficou até hoje a vontade do sueco Alfred Nobel de ser em Oslo a entrega do prémio da paz com o seu nome, enquanto os restantes seriam em Estocolmo. Ora, esta ideia da Noruega como um país pacífico, seguro, tranquilo, por vezes é abalada por estranhos incidentes, como o ataque de quarta-feira na pequena cidade de Kongsberg, com um homem a assassinar cinco pessoas com arco e flechas. Em 2011, um outro ataque, esse com bomba e armas de fogo , causou 77 mortos em Oslo e na ilha de Utoya.

Para resolver China vs Taiwan é preciso paciência de chinês

Chiang Kai-shek, o líder nacionalista que fez de Taiwan em 1949 o último reduto da República da China, há muito que deixou de ser uma referência na ilha, apesar de existir em Taipé um memorial que serve de testemunho da vida desta figura incontornável da história chinesa do século XX. Mas Sun Yat-sen, que foi em 1911 o primeiro presidente chinês, continua uma figura venerada em Taiwan, mesmo que cada vez mais sejam sobretudo os nacionalistas do Kuomintang (KMT) a reivindicá-lo, enquanto o Partido Democrático Progressista (DPP), que atualmente governa a ilha, assume uma relação mais distante. Não por coincidência, o KMT é o partido que Sun fundou (e Chiang liderou), enquanto o DPP da presidente Tsai Ing-wen é uma força nascida já na Taiwan democrática e suspeita por Pequim de ambicionar um dia a independência formal da ilha.

Sete ministras, sete (e duas chamam-se Fatima)

Mesmo quem pouco sabe de árabe conseguirá identificar com facilidade vários nomes de mulher na lista dos ministros marroquinos a quem Mohammed VI deu ontem posse, até porque duas delas se chamam Fatima, nome da filha do profeta e muito popular no mundo islâmico. Assim, além de Fatima Ezzahra Mansouri, ministra da Gestão Territorial e do Urbanismo, e de Fatima-Zahra Ammor, ministra do Turismo, há que contar também com Nadia Fetah Alaoui, Nabila Rmili, Leila Benali, Aouatif Hayar e Ghita Mezzour. No caso de Fetah Alaoui e de Rmili, as pastas que assumem são de especial importância, pois a primeira terá a responsabilidade pela Economia e Finanças de um país que joga forte na diversificação do tecido produtivo (é a quinta economia de África) e a segunda terá sob sua responsabilidade a Saúde numa altura em que a pandemia dá finalmente sinais de ceder, com a vacinação a avançar, depois de um duro ano e meio.