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Lar e UCCI em edifícios vizinhos: num a covid matou, na outra não

PremiumO surto de covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz assustou o país. Morreram 18 pessoas e 162 ficaram infetadas. Mas a mesma instituição tem uma unidade de cuidados continuados integrados onde até agora não se registaram óbitos associados à infeção. O que têm de diferente estes dois tipos de cuidados? Os profissionais? O conceito? Como funcionam? Portugal tem de encontrar respostas mais adequada aos cuidados de longa duração. Há já quem defenda que o modelo de lar tem de mudar.

O que falhou em Reguengos? O modelo de lar, "uma bomba-relógio"

O surto de covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz veio "expor feridas conhecidas" de forma "violenta", porque há muito se sabe que o modelo de lar em Portugal, que dá resposta à maioria dos idosos, "é uma bomba-relógio", "uma realidade desadequada", admitem as Misericórdias. E quando algo corre mal, os argumentos são sempre os mesmos: falta pessoal, formação e financiamento. Ao DN, Manuel Lemos, Constantino Sakellarides, Manuel Lopes, Ricardo Mexia e André Dias Pereira falam do que falhou em Reguengos, do que falha em geral e da questão de fundo, "o envelhecimento".

"Não consigo esquecer o som das mães que gritavam pelos filhos"

Rui é padre jesuíta. Vive em Beirute há ano e meio e foi apanhado pela explosão de 4 de agosto numa biblioteca, não muito longe do porto. Pensou que a guerra ia começar. Ao sair para a rua, sentiu-se aliviado, "tinha escapado". A destruição era tremenda e o som das mães a gritar pelos filhos impactante, mas tinha de ajudar quem vagueava nas ruas ensanguentado. Foi o que fez. Quase 15 dias depois, a vida está longe de voltar ao normal, mas espera continuar a viver no Líbano; gosta do país e das suas gentes.

Covid-19 deixou mais de 45 mil pessoas à espera de juntas médicas

PremiumA obtenção de apoio social e fiscal por incapacidade tem de ser validada por uma junta médica. Os benefícios aumentaram nos últimos anos, os pedidos dispararam, e os médicos de saúde pública são poucos para tantas funções. O atraso nas respostas vai dos seis meses aos dois anos. A pandemia agravou a situação. O governo teve de suspender a emissão de atestados, que só agora está a ser retomada. "Os médicos vão ter de trabalhar sete dias por semana, oito horas cada por muitos meses para recuperar o que está para trás."

Médicos com mais de 60 anos são grupo de risco. Devem ser poupados?

É uma evidência. A idade é um fator de risco e há médicos com mais de 60 anos que estão a tratar de doentes infetados com o novo coronavírus. Há hospitais que estão a tentar colocar alguns na segunda linha de cuidados, mas nem todos são substituíveis. "Não podemos dar-nos a esse luxo", diz o bastonário. "É preciso é que todos estejam protegidos. Este texto foi publicado originalmente no dia 21 de março e faz parte de um lote de trabalhos relacionados com a covid-19 que o DN está a republicar.

Luís, Diana e Nuno os médicos invisíveis que a covid está a mostrar

PremiumO que faz um médico de saúde pública? Quantos anos leva a formar-se? Quantos há em Portugal? As respostas são dadas por quem está no terreno e sente, dia a dia, a pressão de ter de cuidar da saúde da população de uma região ou a frustração de não ser reconhecido. A covid-19 está a mostrar como são importantes. A ministra já o admite. E os médicos esperam que este seja o tempo para a mudança.

"É impossível alguém sair disto e continuar a ser a mesma pessoa"

Entre o espírito de missão e o medo, entre o desconhecido e o stress, que até faz doer o peito, é assim que se luta contra o vírus maldito nos hospitais portugueses. Duas médicas, um enfermeiro e uma enfermeira aceitaram contar ao DN o que a pandemia do SARS-CoV-2 mudou nas suas vidas. Este texto foi publicado originalmente no dia 28 de março e faz parte de um lote de trabalhos relacionados com a covid-19 que o DN está a republicar.

"Queremos ouvir: Vacina. Mas as pessoas pensam em religião"

Ana Travassos Valdez licenciou-se e doutorou-se em História na Universidade de Lisboa. Depois, partiu para Yale, nos EUA, para estudar com o maior especialista em literatura apocalíptica, John J. Collins. Pensava ficar seis meses, ficou 11 anos e meio. Hoje, fala ao DN de um novo projeto, Pandemics and Apocalyptics, já a olhar para a pandemia que vivemos. Este texto foi publicado originalmente no dia 16 de maio e faz parte de um lote de trabalhos relacionados com a covid-19 que o DN está a republicar.

Doentes com covid estudados: por que têm uns doença grave e outros não?

Ana Espada de Sousa é médica especialista em medicina interna, mas deixou a prática clínica há mais de dez anos para se dedicar à investigação. Hoje lidera o Laboratório de Imunologia Clínica da Faculdade de Medicina de Lisboa e uma equipa de investigação do Instituto de Medicina Molecular, que "fez o confinamento no hospital e no laboratório" para estudar doentes com covid-19. O objetivo é descobrir o que leva a que uns desenvolvam a doença de forma grave e outros não. A descoberta pode ser a chave para um novo medicamento e para a redução da mortalidade.