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"É um risco não aproveitar as farmácias para a vacinação"

PremiumAna Paula Martins, bastonária dos farmacêuticos desde 2016, representa uma classe com mais de 15 mil profissionais em que 75% são mulheres e 50% estão abaixo dos 40 anos. Na semana em que o Presidente da República recebeu representantes da saúde e que a vacinação da gripe está a pressionar as farmácias, Ana Paula Martins fala ao DN sobre o que está a ser feito, o que deveria ter sido feito e o que a pandemia mostrou que deve mudar.

"Não é com conferências de imprensa que controlamos a doença"

Portugal ultrapassou os cem mil casos de covid-19 esta semana. A pandemia está numa fase ascendente, como noutros países da Europa. Quem está no terreno não duvida do que aí vem será pior do que a primeira fase. E o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, diz ser "exasperante" andar há sete meses a dizer o mesmo e "a resposta ser nula" em relação aos recursos nesta área. "Se a Saúde entrar em rutura, o país vai ter de fechar".

Como apenas cinco festas fizeram 171 infetados e mais de 400 isolamentos

PremiumOs surtos com origem em reuniões familiares somam 67% do total. O norte é a zona mais afetada. Lisboa e vale do Tejo aparece em terceiro lugar, mas nesta região e no último mês, cinco eventos destes resultaram em 127 infetados e 407 isolamentos. Na região centro e no Algarve há menos, mas os que existem têm dimensões elevadas. O subdiretor-geral da Saúde, Rui Portugal, alerta: "As pessoas estão cansadas da pandemia, mas o ser família não diminui os riscos."

Sakellarides: "Mais dinheiro é importante, mas há que garantir bem-estar das pessoas"

O DN pediu ao professor Constantino Sakellarides que fizesse uma análise rápida à proposta do Orçamento do Estado para 2021 na área da saúde. Ele aceitou, salvaguardando algumas reservas. E do cariz social da proposta, da injeção de financiamento à linguagem e lógica tradicional que seguem há muitos anos este documentos, analisa tudo. Resumidamente: há aspetos positivos, mas também omissões. "É uma proposta genérica, linguagem genérica, faltam detalhes e pormenores para se perceber se mais financiamento vai resultar ou não nas transformações necessárias."

"Investiram em ventiladores, esqueceram os médicos de família"

À medida que a pandemia avança, mais se destapa o que há muito está esquecido nos centros de saúde: a falta de recursos humanos e de equipamento, até de telefones. Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, diz que o silêncio dos "generais", da tutela, deve querer dizer que "não contam com os médicos de família". E "nós estamos nas trincheiras da linha da frente". Em entrevista ao DN, fala da sua irritação e tristeza e alerta: "Estamos pior agora do que estávamos em abril."

"Identificar os assintomáticos. É este o grande desafio”

O outono está aí. E com ele o espectro do agravamento da covid-19. As escolas abriram as portas, as empresas também e pouco a pouco a sociedade começa a funcionar na totalidade. Ninguém quer voltar ao confinamento, mas todos temos um grande desafio pela frente: "Interiorizar que podemos ser assintomáticos", defende a médica especialista em medicina interna Carla Araújo. Se não for assim, os assintomáticos podem fazer disparar os números de infetados e, consequentemente, de óbitos.

Jotas, Aida, Ernesto e Ricky. Vidas de rua com vírus à mistura

PremiumUma tarde, quatro horas, uma viagem por Lisboa e até quem faz vida na rua e da dependência uma vida. Como chegar a estas pessoas, como cuidar de quem já não cuida, como atenuar os riscos dos vírus em tempos de pandemia? A resposta pode ser simples. "Basta levar os cuidados de saúde à rua", dizem-nos. A Crescer e o Hospital de Santa Maria trabalham o conceito há dois anos e querem reforçá-lo. O DN fez esta viagem com uma equipa da associação e com o diretor do serviço de gastroenterologia numa tarde de agosto.

"Queremos criar médicos que se liguem aos doentes"

É um projeto de há muito tempo, quase desde a fundação, e já lá vão mais de 50 anos, mas só depois de 2016 foi possível alinhar tudo e todos, até internamente, para avançar. E, ao fim de quatro anos, depois de um chumbo amargo, em 2019, a Universidade Católica vê o seu curso de Medicina ser aprovado pela Agência de Avaliação e de Acreditação do Ensino Superior. O sim trouxe a polémica para o seio da classe, mas para a instituição trouxe o sabor a "justiça". "É um projeto transformador." À conversa com o DN, a reitora, Isabel Capeloa Gil, e o diretor do curso, António Medina Almeida, falam dos bastidores do projeto e do futuro.

Lar e UCCI em edifícios vizinhos: num a covid matou, na outra não

PremiumO surto de covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz assustou o país. Morreram 18 pessoas e 162 ficaram infetadas. Mas a mesma instituição tem uma unidade de cuidados continuados integrados onde até agora não se registaram óbitos associados à infeção. O que têm de diferente estes dois tipos de cuidados? Os profissionais? O conceito? Como funcionam? Portugal tem de encontrar respostas mais adequada aos cuidados de longa duração. Há já quem defenda que o modelo de lar tem de mudar.

O que falhou em Reguengos? O modelo de lar, "uma bomba-relógio"

O surto de covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz veio "expor feridas conhecidas" de forma "violenta", porque há muito se sabe que o modelo de lar em Portugal, que dá resposta à maioria dos idosos, "é uma bomba-relógio", "uma realidade desadequada", admitem as Misericórdias. E quando algo corre mal, os argumentos são sempre os mesmos: falta pessoal, formação e financiamento. Ao DN, Manuel Lemos, Constantino Sakellarides, Manuel Lopes, Ricardo Mexia e André Dias Pereira falam do que falhou em Reguengos, do que falha em geral e da questão de fundo, "o envelhecimento".