Uma divertida coreografia de super-heróis galáticos

Guardiões da Galáxia Vol. 2 é o regresso daquele que começa a ser um muito apreciado, e revigorante, quinteto da Marvel

Num universo abastecido de ação rotineira entre bons e maus, o humor e a música podem ser as armas mais poderosas. No caso dos Guardiões da Galáxia, ter um Walkman no bolso ou a letra de uma canção na cabeça, e cantá-la com prazenteira desafinação, é quanto basta para distrair o inimigo. A personagem que o dirá com propriedade é Peter Quill (Chris Pratt no mais adequado dos papéis), líder acidental de uma mão cheia de heróis, que traz consigo uma nova cassete de músicas para animar a malta: Vol. 2. Se no primeiro filme os acontecimentos andavam à volta da formação dessa equipa - que, para além de Quill, é composta por Gamora (a mulher verde), o musculado Drax, o guaxinim Rocket e o tronco de árvore antropomórfico Groot - na sequela a ideia é vê-los "dançar" em conjunto, com todas as nuances afetivas.

Esta recente franchise da Marvel, com assinatura de James Gunn, que pega numa banda desenhada secundária, regressa assim no mesmo tom, em modo space opera pop, conotada com a dimensão mais colorida e ligeira dos super-heróis. Ligeira no melhor sentido: resistindo ao cinzentismo genérico das produções Marvel, que se levam muito a sério, os Guardiões da Galáxia fazem de cada missão uma oportunidade para treinar o léxico cómico. Num recheado ambiente visual, sem ponta de austeridade, que abre o apetite ao olhar e a diversão ao espírito, Gunn atira o espectador num carrocel de ação, ainda assim bem doseada de momentos íntimos.

Partindo do planeta Terra, o filme arranca pela estrada com a convicção do sedutor nato... E seduz-nos desde logo, porque ao volante está Kurt Russell, com a cara que tinha há 30 anos (brincadeiras do digital), a sorrir para a mulher que acompanha em voz alta a canção do rádio, Brandy (You"re a Fine Girl), dos Looking Glass. Ela é a mãe humana de Peter, e ele o pai celestial que deixou a semente no ventre e depois desapareceu no espaço. Vamos reencontrá-lo 30 anos mais tarde, num planeta que é uma gracinha... até se transformar num campo de batalha.

Virado para o tema da família, e em particular para os genuínos laços fraternos, Guardiões da Galáxia Vol. 2 é uma rica porção de entretenimento, com sentimento à mistura e um traço humorístico que é o seu pó das estrelas. A adocicar ainda mais a tela está o bebé Groot, um amoroso galho do homem-árvore que no filme anterior morreu para salvar os amigos. E por falar em amigos, digam olá a Sylvester Stallone.

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