Tributo a Miró em preparação

"Estamos a preparar um amplo tributo a Joan Miró", diz ao DN, no Porto, Carlos Cabral Nunes, que promoveu a petição para que os quadros de Miró sejam mostrados em Portugal.

"Esta é uma iniciativa da sociedade portuguesa para mostrar a importância destas obras e a importância de preservar na esfera do Estado estas coleções de arte", explicou ao DN, criticando mais uma vez a atuação do Governo, cujos argumentos, diz, visam "impedir que as obras sejam expostas".

"Pedi uma audiência ao primeiro-ministro, recebi uma resposta automática dizendo que o meu pedia ia ser processado", acrescenta o autor da petição.

Carlos Cabral Nunes recebeu um não da Parvalorem à sua proposta de fazer uma exposição com os 84 quadros e uma escultura comprados por Oliveira e Costa a um colecionador japonês, para o BPN, alegando que a Christie's precisava das peças até ao fim do mês.

Entretanto, o deputado Miguel Tiago, do PCP, apresentou um requerimento à Secretaria de Estado do Tesouro pedindo que lhe fosse disponibilizado o contrato assinado entre as empresas Parvalorem e Parups e a leiloeira Christie"s sobre as obras de Miró.

"Já tinha feito o pedido quer à Parvalorem quer ao secretário de Estado da Cultura e nunca me foi facultado o contrato com a justificação de que havia cláusulas de confidencialidade, mas isso é inadmissível", explica ao DN Miguel Tiago. "É meu dever enquanto deputado saber o que o Estado anda a fazer. O Governo não pode negar o acesso a esta informação à Assembleia da República." Ou, como se lê no requerimento, não é aceitável "uma confidencialidade além da estritamente necessária para o negócio".

"Não estamos a colocar em causa a venda das obras, mas há procedimentos legais que têm de ser cumpridos e o processo tem de ser transparente. O Estado não pode levar as obras à socapa, como um criminoso", afirma.

Miguel Tiago quer conhecer, por exemplo, as cláusulas que dizem respeito à indemnização a pagar no caso de o leilão não se realizar. Ou ainda, que tipo de acordo o Estado fez coma Christie"s sobre o valor das peças. "Só estando na posse de toda a informação podemos tomar as melhores decisões", justifica.

Se não obtiver resposta até lá, o PCP irá fazer novo o pedido no dia 16 quando a secretária de Estado do Tesouro for ouvida no Parlamento sobre este assunto.

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