Teatro de São João ainda sem mecenas

O Teatro Nacional de São João encerra 2013 ainda sem mecenas. "A crise já atinge os privados", diz Francisca Fernandes ao DN.

Após "muitas tentativas e muitos nãos", como contou ao DN Francisca Fernandes, a presidente do conselho de administração do Teatro Nacional de São João (TNSJ), o equipamento cultural do Porto continua sem mecenas. "A crise já atinge os privados", completou a presidente, ontem, na apresentação da temporada do terceiro quadrimestre do teatro portuense. Apesar do corte da indemnização compensatória de 20% sofrido no ano passado, o TNSJ conseguiu um aumento de 24% dos espetáculos apresentados entre 2012 e 2013. Tal como avançou Francisca Fernandes, espera-se que o aumento de 73% respetivo à taxa média de ocupação das salas se mantenha este ano, assim como o aumento de 13 % dos espetadores.

Uma das novidades apresentadas é o projeto Corrente Alterna, uma coprodução com a Companhia Erva Daninha. Entre os dias 12 e 22 deste mês, com programação assegurada por Julieta Guimarães e Vasco Gomes, 17 projectos artísticos passando pela dança, teatro, circo e performance, irão ocupar as salas do TeCa, os espaços da Praça Carlos Alberto e da Praça da Batalha. Ao todo serão noventa os artistas e técnicos, todos provenientes da Área Metropolitana do Porto, que terão a possibilidade de mostrar o seu trabalho que escapa aos modelos tradicionais que o público tem de um espetáculo. Segundo Julieta Guimarães "muitos destes artistas são jovens que acabaram de sair das escolas". Esta é, pois, "uma forma segura de poderem entrar no mercado de trabalho", frisou.

Os Negócios do Senhor Júlio César, a partir do texto de Bertolt Brecht, marca a primeira parceria entre o TNSJ e o Teatro Experimental do Porto (TEP). Com encenação de Gonçalo Amorim e adaptação de Rui Pina Coelho, estará em cena entre os dias 13 e 29 deste mês. Romance que Bertolt Brecht deixou inacabado em 1939, retrata a forma como um jovem biografo vai desmistificando, aos poucos, a grandiosidade em volta da ascensão do imperador romano. Presente na apresentação do programa do último quadrimestre deste ano, o encenador e também diretor artístico do TEP relembra como a peça de Brecht ajuda a estabelecer contrapontos e a pensar na própria ascensão de Hitler, tal como outros ditadores que subiram ao poder na primeira metade do século XX. A par do FIMP, o Festival de Marionetas do Porto, a decorrer entre os dias 9 e 13 de outubro, no Mosteiro São Bento da Vitória, o TNSJ estreará o espetáculo Hoje, com direção artística e coreografia de Tiago Guedes. Esta é a sua primeira coreografia desde Coisas Maravilhosas, volvidos já cinco anos. Estreará a 6 de dezembro.

Os destaques passam ainda pela estreia de Ficheiros Secretos, com encenação de Ana Vitorino e Carlos Costa. A peça foca o modo como a informação é tratada e com que proveito, nos tempos que correm. Ah, os dias, os dias felizes, a partir de Samuel Beckett e encenação de Nuno Carinhas, o diretor artístico do TNSJ; Boris Yeltsin, com direção de Nuno M Cardoso, Em Direcção aos Céus, de Rodrigo Francisco, e Alice, de Carlos J. Pessoa, serão as outras estreias que encerrarão a programação deste ano do teatro portuense. Segundo Nuno Carinhas frisou, as coproduções presentes são o reflexo dos tempos atuais. Tal como Francisca Fernandes reiterou ao DN, espera-se que as obras da fachada do TNSJ estejam prontas no primeiro trimestre do próximo ano.

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