Seis estreias e homenagem a Cintra no Festival de Almada

Josef Nadj, que estreia aqui a sua nova criação, Pippo Delbono, Emma Dante e Declan Donnellan são alguns dos artistas internacionais que se vão apresentar no 31º Festival de Almada. Nesta edição, de 4 a 18 de julho, o homenageado é o ator e encenador Luís Miguel Cintra.

Quando soube que o Festival de Teatro deAlmada o queria homenagear, Luís Miguel Cintra ficou feliz mas deixou o aviso: "Só aceito as palmas e os elogios se me deixarem fazer algum trabalho". E, assim, para além de apresentar no festival o espetáculo Ion, a partir de Eurípedes, Cintra está a organizar, com a cenógrafa Cristina Reis, uma exposição onde vai recordar algumas facetas do seu trabalho como ator e encenador e ao mesmo tempo percorrer os passos dos mais de 40 anos do Teatro da Cornucópia.

A par da exposição, serão exibidos alguns dos filmes em que Cintra participou ou que foram feitos a propósito dos seus espetáculos, e um documentário, "ainda em progresso", realizado por Sofia Marques, uma das atrizes que costuma trabalhar com a companhia, sobre a preparação de Ilusão.

Além de tudo isto, Luís Miguel Cintra é o primeiro criador convidado para um ciclo de cursos, a realizar nos próximos quatro anos, pelo Festival de Almada em colaboração com a Share Foundation. "Percebi que as pessoas mais novas, que têm agora 20 e poucos anos e terão começado a ver teatro há cinco anos, não conhecem o nosso trabalho. Sabem que somos famosos, que somos importantes, mas não podem conhecer. E achei que fazia sentido partilhar algumas experiências. Não serão aulas, serão conversas sobre alguns temas do nosso trabalho", explica o encenador.

Quanto ao resto da programação deste ano, destaque para os seis espetáculos que se vão estrear no festival "É um risco que nos satisfaz, gostamos que os artistas tenham a liberdade para criar, esse é também o papel do festival", explica o seu diretor, Rodrigo Francisco.

Josef Nadj, o criador que dirige desde 1995 o Centre Coréographique National d'Orléans, estreia no festival a sua nova criação: Paisagem Desconhecida (no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, nos dias 15 e 17 de julho).

A Companhia de Teatro de Almada também tem por hábito estrear um espetáculo no festival e desta vez convidou o encenador Ivica Buljan para fazer Cais Oeste, de Bernard Marie-Koltès.

Na abertura (4 de julho, na Escola D. António Costa) está Orquídeas, uma criação do italiano Pippo Delbono; e no encerramento (18 de julho, no mesmo palco) As Irmãs Macaluso de outra italiana, Emma Dante.

Pelo meio, haverá espetáculos bastante diversificados, como é costume. Rodrigo Francisco explica que este "não é um festival temático" e que a sua única preocupação é apresentar "bons espetáculos", que sejam "uma mostra do teatro que se faz no mundo nas suas várias formas de fazer".

Assim, de Testamento, pelo coletivo alemão She She Pop (na Culturgest, em Lisboa, a 5 e 6 de julho) a Os Lusíadas, por António Fonseca, uma maratona de Camões no dia 18 de julho, no Teatro Municipal Joaquim Benite, haverá ainda espaço para uma mostra do "novíssimo teatro argentino", para o regresso da espanhola Ana Zamora ou para o inglês Declan Donnellan trazer a sua visão de Rei Ubu de Alfred Jarry (dia 14, na Escola D. António Costa).

No total são 30 os espetáculos em 12 espaços de Almada e Lisboa, numa edição do festival que marca também o regresso a uma aposta nas sessões na rua. Em ano de crise, o festival conta com um orçamento de 557 mil euros, dos quais 215 mil são investimento da Câmara Municipal de Almada, 190 mil euros provêm da Direção-Geral das Artes e 152 mil são fruto de parcerias, patrocinadores e receitas próprias.

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