Os sem-abrigo no palco do Teatro D. Maria II

A peça 'Condomínio da Rua', de Nuno Costa Santos, que se estreia hoje, no Nacional D. Maria II, em Lisboa, junta os seis atores que constituem o elenco daquele teatro.

João Mota, que também encena, explica que pretendia "uma peça em que os seis trabalhassem juntos, o que não acontece há mais de uma década, mas em que todos fossem protagonistas".

João Grosso, José Neves, Lúcia Maria, Manuel Coelho, Maria Amélia Matta e Paula Mora são os seis atores que constituem a companhia do Nacional e que encarnam diferentes "vidas de rua, pessoas sem-abrigo ou antes, sem amor, sem afecto".

João Mota destaca "o trabalho de investigação" feito por Nuno Costa Santos e pelos os atores que escolheram os seus próprios figurinos. "João Grosso, por exemplo, esteve no Hospital de Santa Maria a falar com esquizofrénicos, médicos, a ver os seus comportamentos."

A ideia da peça foi do encenador que a debateu com o psiquiatra Daniel Sampaio, que lhe indicou Nuno Costa Santos, argumentista e dramaturgo de 38 anos, autor de programas televisivos como "Melancómico", "Zapping" e "Serviço Público". "Eu nem o conhecia, mas de facto fez um trabalho muito sério, pesquisou, visitou os espaços - a alguns fui com ele -, visitou associações, falou com os sem-abrigo, andou pela noite, e contou com consultoria de análise comportamental de Daniel Sampaio", conta João Mota.

Segundo João Mota, a escrita de Nuno Costa Santos "tem um lado de 'non sense', do absurdo, com uma crueldade muito grande e também um grande sentido de humor". A peça tem música de Carlos Paredes e excertos do "Requiem às Vítimas do Fascismo", de Fernando Lopes-Graça, que João Mota afirmou ter rebatizado como "Requiem às vítimas da miséria".

"O tema é os sem-abrigo, os sem amor, os traumatizados da guerra, os esquizofrénicos - o [hospital] Miguel Bombarda fechou e eles andam por aí sem medicação -, a violência doméstica, os toxicodependentes e os que foram obrigados a deixar as suas casas, porque não têm dinheiro - estas coisas existem hoje", afirma João Mota. E sublinha "a oportunidade" da peça no tempo atual, pois "fala de um Portugal de hoje".

"Condomínio da rua", que estará em cena na sala Garrett do Nacional, até 10 de fevereiro, fala "da miséria humana, dos outros e da capacidade de sonhar", rematou João Mota.

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