Na "Sala VIP" a cantar Puccini e Gloria Estefan

A peça escrita por Jorge Silva Melo e encenada por Pedro Gil estreia-se amanhã, na Culturgest, em Lisboa, integrada na programação do Festival Internacional de Teatro de Almada.

Em 'Sala VIP', os atores Andreia Bento, Maria João Falcão, Elmano Sancho, António Simão e João Pedro Mamede são cantores de ópera que já estiveram no auge da sua carreira e já não estão. Estão todos juntos em viagem, a caminho de uma récita, à espera, há horas, na sala VIP de um qualquer aeroporto internacional. São "exilados de seis estrelas", sem-abrigo de luxo, que vivem entre hotéis e aeroportos, na vertigem do sucesso, do dinheiro, do consumo, entre paixões e obscenidades, intercaladas com o sublime da arte e a beleza das árias que vão cantando (mal). São contadores de histórias, evocadores de memórias. Espetros mais do que personagens. "Estamos a ficar velhos", repetem incessantemente. E questionam--se, como todos nós, o que acontecerá "depois do sucesso? do dinheiro? do orgasmo? do amor? da juventude? E depois do teatro?"

A peça está cheia de citações, sobretudo da ópera Manon Lescaut, de Puccini, que é a referência principal, mas também a outras óperas. "As referências criam um universo, mas não são importantes para perceber a história. Estas pessoas formam uma elite. São pessoas que falam de coisas que o espectador não sabe. Podiam falar de ciência, falam de ópera. É quase tudo banalidades", explica Pedro Gil. E nem tudo é ópera na vida destas personagens. Habituados a viver nas salas VIP de aeroportos, hotéis e hospitais, não conseguem evitar emocionar-se ao ouvir Gloria Estefan a cantar Mi Tierra.

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