Inundações cancelam espetáculos no Teatro da Politécnica

Devido aos estragos causados pelas inundações na noite de sábado, o Teatro da Politécnica, em Lisboa, cancelou a sua programação para esta semana - a estreia do espetáculo 'Peça do Coração - For Him a New Fragrance', inserido no festival Temps d'Images, estava prevista para aquele espaço na quinta-feira.

As inundações ocorreram na noite de sábado. No teatro encontravam-se alguns elementos dos Artistas Unidos que realizavam a desmontagem de um outro espetáculo do Temps d'Images, e que ficaram até às 4 da madrugada a tirar água e a limpar o teatro.

Ontem, Jorge Silva Melo elencava na sua página no Facebook os estragos causados pela chuva: "Em uma hora tiramos cerca de 200 litros (a balde) mas a água entrava em maior quantidade do que conseguíamos retirar". A água escorria pelas paredes, o chão da sala da eletricidade ficou completamente alagado, o hall de entrada ficou transformado numa "piscina". Hoje, parte do teto das casas-de-banho das senhoras e dos deficientes ainda se encontrava desabado devido ao peso da chuva.

"Somos obrigados a cancelar a programação devido ao risco de curto-circuito", explica ao DN o encenador Jorge Silva Melo que lembra que as obras, da responsabilidade da Reitoria da Universidade de Lisboa, foram concluídas há apenas um ano. No último inverno, algumas pequenas infiltrações já tinham alertado os Artistas Unidos para a eventualidade de o espaço não ter sido recuperado como deveria: "Avisamos a Reitoria mas foi-nos dito que a culpa era nossa, que devíamos fazer a limpeza dos algerozes. Este ano fizemos essa limpeza e a inundação foi muito maior. Só podemos concluir que a construção foi mal feita."

Enquanto o Temps d'Images procura uma sala para o espetáculo desta semana e os Artistas Unidos tentam falar com a Reitoria para resolver a situação, Silva Melo teme pela sua temporada. No próximo dia 15, o Teatro da Politécnica deveria receber de novo o espetáculo 'A farsa da rua w', de Enda Walsh, e inaugurar a exposição 'Fracções', de José Francisco Azevedo e Ruth Rosengarten. "Isto pode invalidar toda a programação. Outra vez", lamenta o encenador, lembrando o modo como a companhia foi forçada a sair do espaço A Capital, por razões de segurança. "Mas o edíficio ainda lá está, de pé", diz. Silva Melo confessa que não sabe se tem "paciência" para voltar a andar com a casa às costas.

Mais Notícias