A Barraca lança petição para tentar evitar a sua extinção

O grupo de Teatro A Barraca, fundado há 37 anos, lançou na Internet uma petição, para que sejam revistos os critérios de avaliação de projetos da Direção-Geral das Artes (DGArtes), que ditam o financiamento do Estado ao sector.

No texto, colocado em http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=P2013N71200, A Barraca afirma que se "encontra na eminência de suspender a sua atividade, devido aos brutais cortes a que foi sujeita pela atual secretaria de Estado da Cultura".

A companhia fundada, entre outros, por Maria do Céu Guerra e Hélder Freire Costa, afirma que não aceita a classificação de "zero nos parâmetros de Serviço educativo e de Exercício de atividade fora de Lisboa".

"A Barraca não pode ter sido classificada em 31.ª, entre as 54 estruturas teatrais apoiadas", atesta a companhia.

A companhia com sede no Cinearte, no bairro de Santos, em Lisboa, considera que "viu a sua atividade desprezada inexplicavelmente durante o período de 1984 a 1995, em que o Governo lhe negou ano após ano os apoios que foi concedendo a outras companhias e projetos de que hoje alguns deles já não há notícia", sem nunca ter parado a sua atividade.

"A DGArtes tem de repor a verdade e atuar com a mais elementar justiça, revendo os critérios e atribuindo um financiamento condigno à realidade. Sem paternalismo, nem favores, mas simplesmente justo", exigem os peticionários.

O texto é dirigido ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, "responsável pela pasta da Cultura no Governo de Portugal", ao secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, e ao "líder da oposição", António José Seguro, secretário-geral do Partido Socialista.

Entre os primeiros signatários, que ultrapassam as quatro centenas, ao fim das primeiras horas, encontram-se a presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Río, o arqueólogo Cláudio Torres, o escritor Mário de Carvalho, a arquiteta Helena Roseta, o catedrático José de Melo Antunes Mendes, o escritor Fernando Dacosta e o frade franciscano Victor Melícias, entre outros.

A companhia, que está há pouco mais de duas décadas estabelecida no Cinearte, lembra "a incumbência constitucional" do Governo "apoiar a Cultura", que acusa de ter sujeitado o Teatro "a cortes enormes, não com vista a poupar no orçamento devido ao momento que o país atravessa mas, como nas outras áreas, para poder alterar o paradigma cultural que visava a democratização da cultura".

Estes cortes, acusa A Barraca, permitem ao Governo "gastar desmedidamente nas suas áreas de preferência, viagens faraónicas, implementação de uma cultura de elite, extinguindo a itinerância, impossibilitando uma política de preços que torne o teatro mais acessível, impedindo assim a ampla divulgação do conhecimento e aprendizagem, condições essenciais para o nosso desenvolvimento e modernização".

"A Barraca tem-se oposto a tais medidas", sublinha a companhia.

Relativamente à atividade da companhia, são citados vários espetáculos levados à cena em Lisboa, e fora da capital e até no Brasil, como "Joana a Louca",

"Felizmente há luar", "O pranto de Maria Parda", entre outros.

O texto refere as "pessoas do interior do país que viram muitos dos espetáculos desta companhia, que nunca deixou de se apresentar fora das suas zonas de conforto, para que os da província, que pagam os seus impostos como os da capital, não perdessem alguma coisa do que se vai produzindo nos grandes centros".

A Barraca indica ainda os "idosos que puderam assistir a preço zero a espetáculos de qualidade", os "professores de todos os graus de ensino que puderam complementar o seu trabalho e a aprendizagem dos seus alunos com a fruição de obras que ajudaram à compreensão dos programas escolares" e ainda os "criadores, autores que viram as suas obras levadas à cena com rigor e criatividade".

No texto é também salientado que os "profissionais de Teatro encontraram na Barraca um sólido e solidário posto de trabalho, onde aprenderam e beneficiar de um bom ambiente que lhes permitiu exercer com rigor e alegria a sua profissão".

O texto refere ainda o público em geral que, ao longo dos anos, olhou "para A Barraca como um grupo de teatro indispensável às suas vidas, porque ou as embelezou ou as instruiu ou lhes ajudou a criar referências, ou as animou e as divertiu, dando-lhes sempre mais do que recebeu".

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