Tarzan. O clássico está de volta como musical infantil

Tem mais de cem anos e já serviu de base a inúmeros romances. Está no Politeama

Música, acrobacias, pinceladas de humor aqui e ali e muitos animais que tomam conta do palco (e também da plateia em alguns momentos). E um homem-macaco, ou um macaco-homem ou será um gorila-rapaz ou um rapaz-gorila de tanga? Tarzan, claro, já se adivinha, o herói criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs em 1912, feito título do musical para crianças, em cena no Teatro Politeama, em Lisboa, com a assinatura de Filipe La Féria. Simplificada (mas não simplista) e adaptada para crianças, com bullying e ácido desoxirribonucleico (ADN) à mistura, a aventura do bebé criado pela gorila Kala prende a atenção do público infantil durante uma hora.

Tarzan, que não é elefante, zebra nem leão, que tem uma cabeça pequena e poucos pelos, não tem grande dentuça nem beiça caída, tenta ganhar o seu lugar na família de gorilas com a qual vive. E, como o clássico é sobejamente conhecido, pode dizer-se sem correr o risco de ser desmancha-prazeres que termina como rei da selva, vencedor de um duelo com o malvado leopardo Sabor (um dos momentos vividos com maior entusiasmo pelos miniespectadores) e reconhecido enquanto membro da família de gorilas. Uma família liderada por Kerchak, personagem interpretada por Tiago Isidro, tam bém diretor vocal do espetáculo, que há mais de 12 anos trocou a ópera no Teatro Nacional de São Carlos pelos musicais.

Cinco Tarzans

"Todos os espetáculos são complicados. Temos de desenvolver a nossa fantasia, fazer que as músicas fiquem apelativas e, mesmo sendo crianças a cantar, o público espera que cantem bem", explica. E este espetáculo tem uma particularidade: há cinco Tarzans, que se vão revezando, o que obriga a repetir as cenas outras tantas vezes. "Mas os miúdos são ótimos. Fazemos castings e escolhemos os melhores entre as centenas que cá vêm."

Bem, na verdade até são sete Tarzans porque são dois os atores que interpretam a personagem na idade adulta. Ontem foi a vez de Ricardo Raposo (sim, filho de José Raposo e Maria João Abreu), que, após vários castings, desta vez conseguiu um papel nesta produção de La Féria. Pelo contrário, Sara Cabeleira, a Jane, já anda pelo Politeama há 11 anos mas, confessa, neste espetáculo está a sentir "uma grande responsabilidade, talvez pela exigência ainda maior do encenador", conta.

A caracterização é outra vertente importantíssima deste espetáculo, que recai sobre os ombros de Carlos Feio. "Quer através do guarda-roupa quer através da fisionomia, [a caracterização] tem sempre traços símios. São depurados o mais possível para que graficamente funcione e nos remeta para esse mundo. O resto está no imaginário de todos nós", refere. E às vezes há surpresas. Foi o que se passou, por exemplo, com o microfone usado por Ricardo Raposo. Com tanta acrobacia, "a dias da estreia percebeu-se que não poderia ser só um fio com o microfone fixado à cintura". Solução: ficou escondido na cabeleira.

É que, apesar de ser um espetáculo para crianças, nada é deixado ao acaso, até porque "o público infantil é mais exigente do que o adulto", refere Tiago Isidro. E é preciso garantir que fiquem contentes, pois "não há melhor recompensa [para os atores] que chegar ao fim do espetáculo e ter o público feliz, a bater palmas". Por aquilo a que assistimos ontem, pode dizer-se missão cumprida.

Sessão especial no Carnaval

Na terça-feira de Carnaval, dia 9 de fevereiro, a produção do espetáculo lança um desafio a todos quantos assistam à sessão desse dia: irem trajados a rigor. Dentro do espírito carnavalesco, após o espetáculo haverá um concurso de máscaras, apresentado pelo próprio Filipe La Féria. Os disfarces serão avaliados pelo elenco, que decidirá os vencedores. Com mais ou menos criatividade, uma coisa é certa: no final haverá prendas para todos. É dar asas à imaginação, por favor. Ohoooohoooooh!

Tarzan

De Filipe La Féria

Teatro Politeama, Lisboa | De terça a sexta, às 11.00 e às 14.00; domingos e feriados, às 15.00 Bilhetes: entre os 5 euro e os 12,5 euro

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