"Sou um produto dos festivais da canção, enquanto solista, não há que negar. E foi muito bom"

Fez ontem 70 anos e tem 55 de carreira. Acaba de lançar um novo disco, com 17 duetos gravados com cantores de todas as gerações. "O meu tempo é agora, está a ser".

És cantor, compositor e autor de letras de mais de 300 canções?

Não sou "dono" de 300 textos, letras, poemas, como quiserem. Esse não é o meu forte. O meu forte é mais fazer umas musiquetas para textos de outros. Mas fiz alguns textos também.

Compuseste mais de 300?

A determinada altura fiz contas pelo número de LPs ou de cds...

Nós ainda somos do tempo dos LPs...

Felizmente. Mas o meu tempo também é agora.

Nós ainda somos desse tempo e felizmente estamos aqui. A única coisa com que embirro nos cds é aquela película que ninguém consegue tirar.

Há quem use arma branca por causa disso, Mas dizia eu que fiz uma conta pelo numero de cds e LPs e cheguei a 300 e qualquer coisa. Os textos não são todos meus, as músicas a maioria serão, mas já ultrapassou isso. Mas não é uma coisa muito importante.

Acabas de lançar um disco chamado Duetos de Paulo de Carvalho, em que fazes duetos com...

...o chamado elenco de luxo.

É um sortido fino que inclui logo à cabeça dois dos teus cinco filhos.

E um deles tem uma responsabilidade enorme no resultado final. É o produtor e obrigou-me a cantar como ele achava que devia ser. Acontece o filho a mandar no pai. Desde que seja por bem não tenho nada contra.

E manda bem?

Manda bem. Tivemos uma ou outra pequena altercação mas chegámos a bom porto. O Bernardo, que para a maioria das pessoas é o Agir, fez a produção deste disco. Teve a ideia, apresentou-ma e eu achei belíssima. O trabalho foi todo dele e foi muito, mesmo muito - de estúdio, de preparação, dos convites. Só há uma coisa que eu aconselhei e ele achou bem e conseguimos fazer. Eu canto as cantigas como sempre as cantei, e é engraçado chamar a atenção de quem ouvir, pois pode lembrar-se de como eu cantava e como estou a cantar, para ver se há modificações. Mas quem brilha neste disco são os convidados, os que melhoraram e enriqueceram as versões.

São rapazes e raparigas desde os mais novinhos até aos mais consagrados, como o Carlos do Carmo e o José Cid...

...e o Tozé Brito, e outro da velha guarda, maravilhoso, com quem vou cantar daqui as uns dias...

O Ivan Lins! Vais cantar no concerto dele?

Vou, felizmente, tenho imenso prazer.

A ideia de fazer duetos agradou-te?

Agradou-me sobremaneira. Porque há rapaziada mais nova e rapaziada mais velha. Há gente de uma geração intermédia como o Rui Veloso, mas há gente nova que eu sabia quem eram enquanto músicos, enquanto cantores, mas não privava muito, era um "olá estás bom" quando nos encontrávamos. E o meu filho deu-me a possibilidade de cantar com eles. Cheguei à conclusão de que toda a música que fiz nestes 55 anos tem sido muito boa. Desse ponto de vista, sou um fulano muito feliz. Nas coisas deste percurso de 55 anos só há menos boas, não há más, e a partir dali é sempre a subir. Isto não é ser otimista, é uma constatação. Tenho gostado muito do que faço. Há aí gente nova muito gira a cantar muito bem.

Não poderias dizer "no meu tempo é que era bom"?

Não. O meu tempo é agora e está a ser. E no "meu" tempo nem tudo era bom, como agora.

Na capa do disco há um "penetra", o Nuno Markl, que está fotografado entre os outros e não canta. Mas diz uma coisa muito verdadeira, que a voz do Paulo de Carvalho dá para cantar jazz, fado, cantar o que for preciso, até a bula dos medicamentos cantada por ele seria maravilhosa.

Há uma cantiga que fiz em 1977 ou 1978 que se chama Gostava de vos ver aqui, brilhantemente cantada neste disco pelo Ivan Lins, e tinha na versão original uma apresentação parecida feita pelo José Nuno Martins. O meu filho lembrou-se do Nuno Markl e ele pôs coisas da sua autoria, uma gracinha que tem muita graça e a forma como a diz também.

A ideia da bula dos medicamentos é do Nuno Markl ou já era do José Nuno?

É dele, ele fez um pequeno texto, algumas coisas já vinham de trás mas o resto é dele.

Temos aqui um problema temporal. Tu fazes 70 anos na segunda-feira, o programa vai para o ar na terça mas estamos a gravar na sexta. Setenta anos, como é?

A vida começa aos setenta, não é o que se diz? É isso mesmo. Vamos ver se começa.

O que pensavas disso quando eras mais novo?

Eu sabia lá o que eram 70 anos. Eu sei, isso sim, que este tempo passou, que tive imenso prazer e ainda por cima tenho a felicidade de trabalhar numa coisa de que gosto. Nem toda a gente pode dizer o mesmo. Vivo rodeado de muito amor, sobretudo familiar. Tenho uma vida muito preenchida, não só com a minha companheira como com os meus filhos. Há duas que estão todos os dias comigo - uma que vai fazer nove anos e outra 14 - mas quando nos juntamos é uma galhofa. Não tenho de que me queixar. Queixo-me de algumas dores, num sítio ou outro do corpo. Falando mais ou menos a sério, queixo-me do que vejo à minha volta que não me agrada e são questões que me fazem pensar, enquanto cidadão, que seria bom que isto mudasse para melhor, porque há muita gente a passar mal e isso não me traz contentamento.

Isso foi uma preocupação que tiveste sempre?

Não vivemos sozinhos, vivemos uns com os outros. Neste momento, ainda que haja esperança de que tudo possa melhorar, a nossa vida coletiva não é grande coisa, para a maioria das pessoas. O eterno problema do mundo resume-se, em meu entender, em "muitos com pouco e poucos com muito". É um resumo que é um instantinho, havia muito para discutir.

Tens 55 anos de carreira. Começaste pelo "coça na barriga"?

Nos Sheiks eu tinha 15 ou 16 anos, depois 17, por aí fora. Era o único que não sabia tocar viola, nem sabia que sabia cantar, de maneira que fazia uns coros lá atrás, aquilo deve ter sido por simpatia. Alguns já sabiam tocar mais ou menos.

E os outros andavam a aprender na escola Duarte Costa?

Acho que nem isso.

Era mesmo só uns acordes?

Só uns acordes, a ouvir discos. Eu como não sabia tocar viola nenhuma ia lá para trás tocar bateria, uma coisa que pensávamos que era um instrumento menor. Não é.

Quanto tempo ficaste na bateria?

Sempre. Depois desatei a tocar mais ou menos. Os Sheiks foram a minha instrução primária. Depois passei para o Thilo"s Combo, do enorme Thilo Krassman, enorme nos dois sentidos - grande músico e grande como pessoa, e aí foi a minha universidade. Até que veio o Pedro Osório e me convidou para estas coisas do Festival da Canção, acho que ainda existe.

Aí está outro tema, o Festival da Eurovisão já foi quando a entrevista sair.

Eu não sei o que se vai passar em termos de classificação, se é que isso é importante. O Salvador é um enorme músico e sobretudo uma grande pessoa. A classificação são outros quinhentos, como diz o Carlos do Carmo, eu quero lá saber disso. Se ele tiver uma boa classificação e quiser tirar partido disso para a sua vida profissional enquanto músico acho que faz muito bem, mas não é por aí que o gato vai às filhoses. Ele é uma enorme pessoa, um grande músico, e essa é a base de tudo isto. Venha mais um que canta muito bem.

Conheceste toda a gente, no mundo da música.

Não conheço toda a gente e até há mesmo gente que não estou interessado em conhecer. Mesmo no mundo da música há um ou outro que eu não estou interessado em conhecer.

Quem é que não queres conhecer?

É um ou dois. Nesta altura do campeonato seria dar imensa importância a gente que já deixou de a ter,

Quem?

Gente que me fez bastante mal. Os votos que faço são os mesmos que faço no fim do ano com uma taça de espumante ou de champanhe, conforme o que há: que os meus inimigos sejam tão felizes que nem se lembrem que eu existo.

Chegaste ao festival da canção, não na bateria mas com a tua voz. Já era o reconhecimento da tua voz?

Fui aprendendo, aquilo traz-nos um traquejo enorme. As pessoas não fazem ideia do que eu tremia naqueles festivais da canção. Porque havia aquela história de ganhar e ser melhor que o outro.

Era um acontecimento nacional.

Aquilo era um acontecimento nacional e eu não me dava muito bem com esse aspeto de concurso. Aliás há uma diferença enorme entre a minha interpretação do E Depois do Adeus cá, em que eu tremo por todos os lados, engano-me na letra, dou uma fífia no fim, e depois em Brighton, em Inglaterra, aquela versão do E Depois do Adeus cantada com aquele som maravilhoso, com músicos sensacionais e eu sem ter nada para ganhar... Aliás, fiquei com uma certa raiva aos nossos queridos espanhóis que me deram dois pontos. O giro era ter saído de lá com zero. Isso dizia tudo. Dois votos não se dá a ninguém.

Esses festivais deram-te traquejo?

Deram-me traquejo, ganhei a minha vida ali, aprendi muita coisa, fiz amigos, cantei com amigos depois do festival, o festival levou-me a isso. Sou um bocado um produto do festival, enquanto cantor solista, não há que negar. E foi muito bom.

E entraste logo com aquela canção, o E Depois do Adeus.

Eu não sabia nada que ia servir para o que serviu, não fazia ideia. Hoje já sei a história, na altura não sabia e fiquei muito contente. A boa culpa, para mim, foi do João Paulo Diniz [dos Emissores Associados] porque o Otelo Saraiva de Carvalho foi ter com ele para lhe pedir para pôr uma música do Zeca Afonso, o que fazia todo o sentido, era essa que devia ser. O João Paulo Diniz disse que era complicado pôr uma música do Zeca Afonso, "eles vão ouvir". E se fosse a música da Eurovisão deste ano, do Paulo de Carvalho? Está bem, pode ser essa. Eu fiquei na História por acaso. Logicamente o que fazia sentido era termos o Zeca.

Tivemos na mesma, com a Grândola.

Não tivemos o Venham Mais Cinco, era mais giro.

Essa é que era. Mas a Grândola ficou um hino.

Ficou o hino da revolução.

Antes de começarmos a gravação, estavas a falar com o João Félix Pereira, que está ali atrás do vidro a tratar do som, sobre a letra.

Também só soube depois. É uma história muito bonita.

E que tem muito a ver com o 25 de Abril.

Aliás, não fica mal termos sido nós. Repara: Zé Calvário autor da música, eu enquanto cantor, Zé Niza autor do poema. Trazíamos a possibilidade da renovação da música ligeira. Não era a música popular portuguesa, mas era uma música ligeira portuguesa. Penso que fez algum sentido - já que teve de ser outra que não o Venham Mais Cinco. Mas provavelmente esta chamaria a atenção imediatamente a pessoas que podiam cortar o que se estava a passar.

E a letra?

A letra são bocados de cartas que o Zé Niza escreveu à mulher, à Bló, enquanto estava na guerra em Angola: "quis saber quem sou, o que faço aqui, quem me abandonou, de quem me esqueci". Soube disso uns tempos depois e acho muito bonito. Andamos todos a correr tão depressa que muitas vezes estamos a cantar uma coisa que não sabemos a história, e seria giro, até por uma questão de interpretação, saber. Mas não calhou.

E Os Meninos do Huambo, que história tem?

Eu não fiz, limitei-me a cantar. O Carlos do Carmo foi cantar a Angola e o Rui Mingas, que é o autor da música - o poema é do Manuel Rui Monteiro - mandou-me a música numa fita de arrasto castanho, numa bobine. O Carlos do Carmo disse "o Rui Mingas mandou isto para ti e gostava que tu ouvisses, acha que é uma cantiga gira para tu cantares". Já não tinha gravador - estamos a falar de 84 ou 85 - mas consegui arranjar um, ouvi aquilo e achei que a cantiga era muito bonita. Queria gravar um disco que defendesse a música portuguesa. No princípio dos anos 80 - hoje não - a música portuguesa era muito inglesada, havia que falar mais em português. E decidi gravar um disco de fados, que se chama Desculpem qualquer coisinha, onde Os Meninos do Huambo entraram. É uma cantiga lindíssima e sobretudo aqueles milhares de pessoas que infelizmente - porque foi contra-vontade - tiveram que vir de Angola adoram a cantiga, mesmo depois de saberem o que é, porque Angola ficou-lhes muito no coração, na pele, na vida. Aquela cantiga é, para quem não sabe, o hino dos Pioneiros do Huambo. A exemplo do que existe em Portugal junto do Partido Comunista Português, são os miúdos do MPLA. Tinha termos que eu não utilizei, mudei uma coisa ou outra da letra porque não fazia sentido em Portugal em 1985 estar a falar do poder popular e sobretudo das FAPLA, as forças armadas de Angola.

O E Depois do Adeus no teu disco de duetos é cantado por ti e pela Mariza Lis, dos Amor Electro. Uma jovem.

Oiçam não só a ela mas todos os outros.

E Os Meninos do Huambo é um dueto com o António Zambujo.

Mas há mais coisas. A cantiga menos conhecida do meu repertório, que fiz com o Zé Carlos Ary dos Santos, tem uma versão nova com o Miguel Araújo - a Balada de uma Boneca de Capelista. É outra das cantigas que o Carlinhos, o Carlos do Carmo, me disse assim - gravo isto se calhar. Não gravou e ainda bem. O Rui Veloso tem uma história engraçadíssima neste disco. Quando fomos ao estúdio dele para gravar - ele começou a ouvir os Dez Anos e disse: "Esta viola aqui é mesmo anos 80". "Pois é, filho, foste tu que tocaste". "Não fui eu". "Foste. Entraste no estúdio com o António Avelar de Pinho, eu estava a gravar o disco, tu tinhas acabado de gravar o Ar de Rock mas ainda não tinha saído o disco, apresentaram-te - o Rui, do Porto, grande músico e tal, toca viola, gravou agora o primeiro disco e tal. Ai é? Então mete aí uma violada na música."

E agora volta a ser ele a tocar.

Voltou a ser ele, desta vez a cantar e a tocar.

Tens mais o Olá então como vais com o Tozé Brito, uma velha amizade também. O Gostava de vos ver aqui com o Ivan Lins.

Que me surpreendeu a cantar aquela cantiga, não estava nada à espera e cantou-a maravilhosamente. Mas não me devia ter surpreendido, o parvo sou eu, porque ele canta bem. Tem jeito...

O rapaz faz-se. O José Cid canta contigo A Nini dos meus Quinze Anos. Conta lá a história da Nini.

Não conto nada, isso ficou sempre no ar, muita gente acha que as Ninis são elas. Mas verdadeiramente quem conheceu alguma Nini e falou dela foi o Fernando Assis Pacheco, que fez a letra.

Tu conheceste algumas Ninis também?

Lá no baile dos bombeiros de Santo Amaro de Oeiras, em associações de recreio havia sempre a Nini, aquela miúda mais bonita do baile com quem nós todos queríamos dançar e depois cada vez que o conjunto começava a tocar caíam-lhe aí uns dez galifões em cima, tudo a pedir para dançar e tal, e eu ficava sempre pendurado.

Tens o Camané a cantar Os Putos...

... e a Raquel Tavares a cantar O Homem das Castanhas.

E o Carlos do Carmo a cantar a Lisboa Menina e Moça. E o Matias Damásio a cantar a Mãe Negra.

O poema da Alda Lara chama-se Prelúdio, depois passou a ser Mãe Negra. O Matias Damásio tem um enorme êxito aí a tocar na nossa rádio. Lá está - mais uma pessoa que eu conheci por causa do Bernardo. Depois há o Diogo Piçarra que canta a Flor Sem Tempo: quando a Flor Sem Tempo foi cantada no festival da canção, o Diogo nem em projeto estava. É engraçado ver como ele canta maravilhosamente esta cantiga comigo levando-a para outros lados, não é aquilo a que as pessoas estão habituadas. Eu canto certinho, estou na maior. E depois a minha querida Rita Guerra canta a Maria Vida Fria que é uma cantiga por que eu tenho uma certa paixão. Estreei esta cantiga do Pedro Osório e do Zé Niza no Festival Internacional do Rio de Janeiro, o último que fizeram, provavelmente por eu ter lá estado. Não era esta cantiga, a cantiga chamava-se Antes que seja Tarde mas a censura cortou e eu, que sou muito bom a aprender letras - nem de banco, quanto mais... - numa semana tive que aprender esta letra que é um bocado lençol. Ou seja, poderia ter-me divertido no Rio de Janeiro e não me diverti quase nada porque tinha de estudar a letra.

A Áurea canta o Abracadabra e Tatanka, dos Black Mamba canta O Executivo. Só falta dizer que a tua filha Mafalda Sacchetti canta contigo Um Beijo à Lua e o Agir canta O Meu Mundo Inteiro.

São duas cantigas mais familiares que me agradam bastante.

Em entrevistas que deste dizes que 2017 vai ser um ano de muitas surpresas. O primeiro projeto é o disco dos duetos. Então e o resto?

São tentativas de surpresa. Uma delas é pôr isto em cima de um palco. É complicado lidar com agendas e egos, mas vamos fazer tudo para que isso aconteça, vai ser maravilhoso pôr esta gente toda em cima do palco e eu também a cantar com eles.

Já há data?

Ainda não há uma data específica, há tentativas. Até porque vamos querer apresentar este disco em Lisboa e para muita gente. Estamos a ver as possibilidades.

E mais surpresas?

Faço lá ideia. Há uma coisa que me está a atormentar. Já que o meu filho me meteu neste belíssimo imbróglio, acho que já tenho um título para o próximo disco. Depois deste é "E agora, Paulo?" Tudo indica que este possa ter algum tempo de existência, hoje as coisas saem num dia e daí a um mês já são velhas. Mas este não corre esse risco porque já é velho. É recantado. Não confundir com requentado.

Recantado e com imenso prazer?

Foi sensacional todo este trabalho. E há um agradecimento que tenho que fazer ao Bernardo que teve um trabalho de se partir todo, passe a forma de dizer, porque foram muitas noites sem dormir da parte dele e a papinha para mim já vinha feita, era só cantar. Ele fez um trabalho muito bom e utilizou os conhecimentos que já foi adquirindo. Espero que isso vá por aí fora e que tenha muito mais. Por outro lado, há toda uma equipa atrás de mim a funcionar. Às vezes nós lá conseguimos reunir as condições para que isso aconteça. E as casas com que estou a trabalhar. Ele é um dos donos da WAM [We Are Music]

De que fazes parte.

É a minha agência. Depois há a etiqueta também que ajuda bastante, a Universal. Eu sei lá, é tanta gente que anda aí comigo nesta fase. E isto é bom, porque de vez em quando temos a possibilidade de sermos acompanhados e de que o nosso trabalho seja muito mais visto. Nós, os de mais idade, temos os mesmos problemas que os mais novos têm, a dificuldade da divulgação do nosso trabalho.

Gostaste de cantar na tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa?

Eu gosto do nosso Presidente. Não te digo "do" Marcelo, e podia dizer porque já nos conhecemos há muito tempo, porque quero marcar a posição de que não gosto muito. de como se fala hoje: "o" Marcelo, "o" Cavaco, "o" Passos Coelho. Podemos não gostar do que fazem mas foram eleitos democraticamente. Não gosto desse tipo de interpretação. Cantei, gostei muito, gosto da atitude dele, está a empurrar-nos para cima a estávamos a necessitar disso. O comportamento que ele tem, que é criticado por muita gente, é pá, para isso eu já dei. Eu gosto. Eu gosto do que gosto e gosto de andar aqui e gosto de viver e gosto das pessoas.

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