Entrar em Serralves está mais caro

O orçamento de 9,4 milhões em 2012 sofreu um corte de 2 milhões. Bilhetes aumentaram

A diretora-geral da Fundação de Serralves, Odete Patrício, disse hoje que as alterações no tarifário de acesso ao museu e ao parque, no Porto, não vão resolver o problema de subfinanciamento, mas ajudam, apelando à compreensão do público.

Odete Patrício falou com a Lusa em reação ao lançamento da petição "Contra as novas tarifas de Serralves" endereçada ao ministro da Cultura, João Soares, ao presidente do conselho de fundadores, Luís Braga da Cruz, e à presidente do conselho de administração, Ana Pinho, na qual é escrito que a instituição inverte, "pela primeira vez desde a criação, a tendência de abertura à cidade, à região e ao país, [e diverge] explicitamente de alguns dos seus objetivos estratégicos".

No começo deste mês, o acesso ao museu e ao parque passou de 8,5 para 10 euros, apenas o primeiro domingo de cada mês passou a ser gratuito (em vez de todos os domingos das 10:00 às 13:00), enquanto os jovens dos 12 aos 18 anos e os estudantes passaram a pagar entrada com 50% de desconto.

"O argumento que a administração de Serralves utiliza tem de ser tido em conta. Há problemas graves a nível de financiamento da Fundação de Serralves e isso é gravíssimo porque a fundação é demasiado importante para a cidade, para a região e para o país e não podemos abdicar dela", disse à Lusa o criador da petição, Pedro Bragança, que ressalvou que "é quase imoral traduzir este problema financeiro nos bilhetes para os estudantes".

Questionada sobre a escolha do momento para alterar os preços, tendo em conta que os cortes orçamentais feitos pelo Estado foram aplicados em 2012, Odete Patrício respondeu que tal se deveu ao facto de "a situação estar a ficar bastante insustentável" e sublinhou que este aumento "não vai resolver o problema, mas ajuda".

"Até 2012 tínhamos um orçamento de 9,4 milhões de euros, tivemos de cortar para 7,4, que é o valor de 2015, o que significa que Serralves teve de fazer um esforço de encolher os seus custos de uma forma muito violenta. Estes cortes que tivemos de fazer, muito fortes, não nos dão possibilidade de crescer e de cumprirmos integralmente a nossa missão e o nosso papel no país", explicou a diretora-geral da instituição.

A responsável da Fundação de Serralves realçou que, neste momento, a verba de 2,8 milhões que advém do Estado "paga os ordenados e mais nada", contrariando aquilo que está patente no decreto-lei 163/2001, segundo o qual "o Estado assegurará, anualmente, para as despesas de funcionamento da fundação e para as despesas de funcionamento e atividades do Museu de Arte Contemporânea, subsídios equivalentes aos fixados para os mesmos fins, no ano 2001".

"Tivemos o primeiro corte em 2013: um ano aguenta-se, dois já custa, em 2015 começa a ser uma situação em que não podemos continuar, neste estrangulamento que não nos deixa crescer", disse Odete Patrício.

Na quarta-feira, os deputados do Bloco de Esquerda Jorge Campos e José Soeiro questionaram na Assembleia da República o ministro da Cultura sobre se o Governo estará "disponível para se comprometer com a reversão destas alterações de tarifário".

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