Scorsese e Affleck são candidatos de última hora

Entre os títulos a estrear nos últimos dias do ano, nos EUA, estão potenciais candidatos: Silêncio e Viver na Noite

Tempos houve em que o vencedor do Óscar de melhor filme não precisava de ter sido lançado no último trimestre do ano para ser considerado um concorrente a ter em conta. Hoje em dia, a proeza de um filme como O Silêncio dos Inocentes - estreado em fevereiro de 1991 e consagrado como melhor filme em março do ano seguinte - parece virtualmente bloqueada pelas novas estratégias do mercado e também pelo funcionamento da "temporada de prémios".

Seja como for, há pelo menos um título a que, apesar da sua ausência nas nomeações para os Globos de Ouro (ou precisamente por causa disso...), todos reconhecem capacidades para surgir na linha da frente. Trata-se de Silêncio, de Martin Scorsese, adaptado do romance homónimo do japonês Shusaku Endo, encenando a saga de alguns jesuítas portugueses no Japão do século XVII.

Ainda que pouco visto (o lançamento europeu só ocorrerá em 2017), o filme já tem garantido um lugar mítico na história de Hollywood, desde logo porque decorreram mais de duas décadas desde que Scorsese manifestou o desejo de adaptar o livro de Endo. As muitas atribulações legais e logísticas que marcaram a sua gestação contribuíram para essa aura, sendo um daqueles casos em que, para além das categorias principais, as contribuições técnicas parecem ter também sérias hipóteses.

A par do filme de Scorsese, Viver na Noite surge como uma das mais importantes estreias de última hora - ambos terão lançamentos limitados, em algumas cidades dos EUA, nos derradeiros dias do ano, para ocuparem o mercado nacional apenas nas primeiras semanas de 2017. Estamos, neste caso, perante a nova proposta de Ben Affleck, não apenas um dos actores mais populares da actual produção americana, mas também um dos que conseguiu arrebatar o Óscar de melhor filme na condição de produtor: aconteceu com Argo (2012), que também protagonizou e realizou. Desta vez, Affleck volta a dirigir e interpretar, acumulando ainda a tarefa de argumentista, adaptando o romance Live By Night, de Dennis Lehane sobre os bastidores do crime em Boston, nos anos 20/30.

Uma coisa é certa: com as últimas alterações de calendário, este ano os Óscares vão acontecer "desligados" dos Globos. Na verdade, as nomeações para os prémios da Academia de Hollywood serão anunciadas a 24 de janeiro, mais de duas semanas decorridas sobre a atribuição dos Globos (dia 8). Podemos admitir que tal circunstância trará algumas vantagens às estreias das derradeiras semanas de 2016, entre as quais, além dos filmes de Scorsese e Affleck, encontramos também os de Peter Berg (Unidos por Boston, sobre o atentado na Maratona de Boston) e Denzel Washington (Vedações, abordando a situação social de uma família afro-americana na América dos anos 50). Em tudo isto, se o número de nomeações indiciar alguma vantagem, Scorsese segue na frente: já foi nomeado 12 vezes, oito das quais para melhor realizador - destas, ganhou apenas uma, com The Departed (2006).

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