Rivoli custou à Câmara quase 301 mil euros em 2011

Em 2011, o primeiro ano pós-gestão de Filipe la Féria no Teatro Rivoli, a Câmara do Porto gastou com o equipamento 300,9 mil euros, revela o relatório de prestação de contas da autarquia, a que a Lusa teve hoje acesso.

A informação consta do mapa de "Execução Anual das Grandes Opções do Plano", que será analisado, juntamente com o relatório de gestão de 2011, na reunião camarária de terça-feira.

As contas do Rivoli Teatro Municipal aparecem na rúbrica dedicada à Cultura e Lazer e representam uma poupança de mais de 50 por cento relativamente à gestão do encenador, que custava à Câmara cerca de 700 mil euros anuais.

Os "encargos com as instalações" receberam a maior fatia do investimento em 2011, tendo correspondido a um gasto de 109 mil euros.

Com a "limpeza e higiene", o município gastou 106,5 mil euros e a "conservação de bens" custou 50,2 mil euros, ao passo que a "assistência técnica" recebeu 9,75 mil euros".

No final de novembro de 2010, o assessor jurídico de Filipe La Féria revelou à Lusa que o encenador estava a "sair" do teatro Rivoli, aonde a sua companhia Todos ao Palco se instalara desde 2006, ao abrigo de contratos de acolhimento com a autarquia.

Desde outubro e até 12 de dezembro de 2010, o espaço esteve a ser gerido no âmbito de um contrato "tripartido" entre o Rivoli, a Todos ao Palco, de Filipe La Féria, e a produtora UAU.

No fim daquele ano, o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, garantiu que quem ficasse responsável pelo Rivoli teria de comparticipar "fortemente" nos seus custos, rejeitando "pagar para ter as salas vazias".

Rio referia, na altura, que a solução para o teatro podia ser resolvida "de diversas maneiras", apontando o mês de março de 2011 para encontrar solução para o futuro do espaço.

Uma reunião extraordinária convocada pela oposição para debater o assunto, em janeiro de 2011, deixou o vereador do PS Manuel Correia Fernandes convencido de que a autarquia retomaria "a gestão direta da programação do teatro municipal Rivoli, pelo menos até ao fim do ano".

Desde então, nada mais se soube sobre a gestão do teatro.

Em 2009, durante a aprovação do relatório e contas da Câmara relativo a 2008, a autarquia confirmou que, naquele ano, o Rivoli custou aos cofres municipais 745 mil euros, alertando que tal valor correspondia a uma poupança de 2,5 milhões de euros anuais relativamente à gestão anterior a La Feria.

"Quando o Rivoli era gerido pela Culturporto custava à Câmara três milhões de euros por ano, sem público. Em 2008, o Rivoli custa à Câmara 745 mil euros por ano, sempre com casa cheia. Ou seja: a Câmara já poupou, em dois anos, 4,5 milhões de euros. Resumindo, a Câmara poupa por ano 2,5 milhões de euros", destacava então a autarquia, numa resposta escrita enviada à Lusa.

Os quatro anos de La Feria no Rivoli terão permitido uma poupança total de oito a nove milhões de euros, disse Rui Rio, numa Assembleia Municipal de 2010.

A companhia Todos ao Palco, do encenador Filipe La Feria, renovou em fevereiro de 2010 o contrato de acolhimento do teatro Rivoli, prevendo-se que ali continuasse até ao final daquele ano.

No âmbito de um concurso público para a concessão do Teatro Rivoli, a Câmara do Porto decidiu entregar, em 2006, a gestão daquela sala de espetáculos ao produtor e encenador Filipe La Féria.

A Plateia - Associação de Profissionais do Espectáculo interpôs em tribunal uma ação cautelar de suspensão da eficácia da concessão e o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto confirmou a decisão camarária como ilegal.

Assim, a autarquia não chegou a assinar qualquer contrato de concessão do Rivoli com La Féria, optando por sucessivos contratos de acolhimento com o produtor.

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