Realizador que criou o filão dos super-heróis regressa com X-Men

Bryan Singer, realizador de lista A em Hollywood, esteve em Londres para a estreia de "Apocalipse", e contou ao DN como se sente em ser o pai das adaptações da Marvel ao cinema

Mais um X-Men. Já vamos em quantos? Não estará o espectador perdido? Os fãs da banda desenhada não estão com certeza. Percebe-se isso quando se chega a Londres e há um clima de entusiasmo junto ao hotel onde a Fox monta o aparato promocional deste blockbuster, na verdade o terceiro na nova fase (que só por si é uma prequela dos primeiros 4).

Apocalipse, é assim o nome deste último, recém-estreado com sucesso nos ecrãs portugueses. Mais uma vez é Bryan Singer, conhecido realizador de Os Suspeitos do Costume, quem está no comando das operações. Em termos de escala é o maior de todos. A história de como a nova geração de mutantes, em plenos anos 1980, se agrupa com a designação X-Men sob a alçada do professor Xavier para combater um supermutante chamado... Apocalipse, renascido de uma pirâmide do Egito.

Quando começamos a conversa com Singer queremos logo saber se o realizador acha possível alguém poder entrar neste universo sem ter visto os filmes anteriores: "claro que pode! Fazemos questão de apresentar as personagens e fazer um update. O espectador não fica perdido...Tenho amigos que não viram os filmes anteriores e perceberam tudo. Creio que ninguém vai ficar com dúvidas." Pode ter razão, mas aqui, mais do que nunca, os piscares de olhos são para os fãs da série, iniciada em 2000 por este homem, responsável por X-Men, gigantesco sucesso para a Fox.

Na verdade, é o próprio quem nos confessa que X-Men começou a ser planeado em 1996: "estou no universo destes heróis há mais de vinte anos! Não são os 16 anos que marcam a data do primeiro, não... são 20! Mas continuo a entusiasmar-me. Este é muito diferente de todos os outros. Tem um vilão de uma outra estirpe, um vilão que não faz distinções entre humanos e mutantes. Julga-se um deus e é diferente de todos os outros vilões."

Será que aceita a "culpa" de ter sido o responsável pelo início da febre dos blockbusters com super--heróis? "Fico muito honrado quando ouço isso. É um elogio que me deixa espantado... Se o primeiro X-Men não tivesse resultado estes filmes da Marvel ainda não teriam sido feitos. Não estou a ser arrogante mas estava perto daquele momento quando se começou a pensar neste projeto do estúdio Marvel. X-Men e Homem-Aranha, de repente, trouxeram um foco de atenção para o universo da Marvel. O interesse por uma companhia que estava na falência foi crescendo e crescendo. O que sinto é que o universo X-Men é infinito, pode ser tão grande como todo o universo Marvel ou DC. As suas possibilidades são intermináveis. Amo estas personagens, conheço--as bem."

Singer sempre quis fazer cinema em grande, mesmo quando assinou um discreto filme de guerra com Tom Cruise chamado Valquíria. Aqui destrói cidades e quase o mundo inteiro. Como muitos cineastas de blockbusters, parece ter a síndroma do 11 de Setembro. Ele discorda: "aqui há muita destruição. Mas não sei se tem muito que ver com os atentados do 11/9, não sei se os cineastas que colocam destruição nestas fantasias querem fazer lembrar às plateias algo tão traumático... Estou convencido de que as pessoas gostam de ver coisas conhecidas e gigantes a irem pelos ares. Não é por acaso que as pessoas se juntam para ver shows de pirotecnia... O que é o fogo-de-artifício se não coisas a explodirem no céu!? Ali não há narrativa, portanto... Pelo menos, nós, neste filme - quero acreditar -, temos uma história. O público gosta de fogo-de-artifício! Não os posso culpar, já antes do 11/9 os rebeldes tinham rebentado com a Death Star... E era uma explosão grande e todos rejubilámos... Cidades a cair não é uma coisa nova."

Não temos coragem, de lhe lembrar, mas no seu Super-Homem - O Regresso, feito há dez anos, a destruição tinha uma outra pureza...

No fim, antes deste exclusivo para Portugal terminar, uma dúvida, como se sentiu como jurado no Festival de Tóquio 2015, ele um homem dos blockbusters a julgar cinema do mundo? A resposta vem de rajada: "tinha estado lá com um filme há muitos anos e senti necessidade de aceitar este desafio. Alguém deveria ter gravado essas deliberações, nem imagina como foi."

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