Qual vai ser a música dos Óscares de Hollywood?

O musical La La Land surge na linha da frente para os Óscares deste ano, mas as nomeações só serão divulgadas amanhã em Los Angeles, pelas 13.18 de Portugal.

A temporada de prémios do cinema terá o seu desenlace com os Óscares da Academia de Artes e Ciências de Hollywood, este ano entregues a 26 de fevereiro. Será que o esquecimento a que tem sido votado o filme Silêncio, de Martin Scorsese, vai fazer com que fique afastado da corrida às principais estatuetas douradas? Milagre no Rio Hudson, de Clint Eastwood, outro dos esquecidos, poderá levar o seu protagonista, Tom Hanks, a entrar na corrida para melhor ator? E que dizer de Isabelle Huppert: a intensidade da sua composição em Ela, de Paul Verhoeven, irá inscrevê-la na lista das candidatas a melhor atriz?

As nomeações da Academia poderão esclarecer a situação e redistribuir o jogo - serão anunciadas amanhã como é da tradição às primeiras horas da manhã em Los Angeles (13.18 em Portugal). Em qualquer caso, este ano, o evento parece querer refazer a tradição, uma vez que os apresentadores - entre os quais o presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs - surgirão em paralelo, pela primeira vez, com a publicação da lista das nomeações nos sites oficiais (oscars.com e oscars.org).

Seja o que for que pensemos sobre La La Land, a noção segundo a qual o musical de Damien Chazelle emerge como um "vencedor" antecipado - sete triunfos nos Globos de Ouro, incluindo melhor filme/musical ou comédia - tem envolvido uma equívoca perceção histórica. Isto porque os Globos são atribuídos por uma entidade exterior à indústria, a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (com 90 membros), enquanto os Óscares resultam de votações de um gigantesco grupo de elementos de todas as profissões da indústria (6687 é o atual número de votantes).

A própria ideia de que os Globos "antecipam" os Óscares não passa de uma frase promocional que ignora a evidência dos números. Dos títulos consagrados na categoria de melhor filme/drama, a percentagem dos que vieram a ganhar o Óscar de melhor filme é inferior a 50%; quanto aos vencedores do Globo de melhor musical ou comédia, em 73 edições, a "coincidência" com o Óscar de melhor filme ocorreu só 10 vezes.

Seja como for, La La Land tem sido um invulgar fenómeno mediático, tal como Manchester by the Sea e Moonlight (o primeiro em exibição entre nós, o segundo com estreia dia 2). Não será surpresa encontrá-los entre os mais nomeados. No caso de Manchester by the Sea, Casey Affleck, ele sim, parece ser o vencedor "antecipado" do Óscar de melhor ator.

Entre os que correm "por fora", convém não esquecer dois filmes realizados por atores que, mesmo com altos e baixos, nunca deixaram de pertencer à galeria de notáveis de Hollywood - são eles O Herói de Hacksaw Ridge, de Mel Gibson, e Vedações, de e com Denzel Washington (estreia portuguesa a 23 de fevereiro).

Um enigma difícil de esclarecer (mesmo depois de conhecidas as nomeações) terá a ver com o facto de todo o processo de votação destes Óscares poder refletir (ou não) algumas clivagens políticas agudizadas pelas eleições presidenciais americanas. Neste contexto, vale a pena estarmos atentos a Jackie, de Pablo Larraín (estreia dia 9): Natalie Portman é uma séria candidata a uma nomeação graças à sua interpretação da personagem de Jacqueline Kennedy.

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