Plácido Domingo canta pela Amazónia

Nas próximas quatro edições, o projeto social é só um: a defesa da floresta

Um concerto de Plácido Domingo, acompanhado por coro e orquestra, num palco gigante e flutuante, em pleno rio Negro, na floresta da Amazónia do Brasil. Esta é a próxima loucura saída da cabeça do empresário Roberto Medina, o criador do Rock in Rio. Os pormenores sobre este evento foram ontem desvendados no Rio de Janeiro, onde a organização lançou o Amazónia Live - Projeto Social do Rock in Rio para todas as edições do festival até 2019. O concerto vai acontecer a 27 de agosto e tem como objetivo chamar a atenção do mundo para a catástrofe ambiental que está a acontecer naquela floresta.

Cada edição do Rock in Rio costuma ter um projeto social diferente - já contribuiu para a construção de uma escola na Tanzânia, para a educação de jovens desfavorecidos no Rio de Janeiro, já instalou 760 painéis solares em escolas portuguesas e doou mais de 2200 instrumentos musicais. Mas agora Roberto Medina dá um passo em frente: "Estamos fazendo um investimento muito grande, de oito milhões de reais, para plantar um milhão de árvores na Amazónia e ainda fazer uma campanha de comunicação enorme para que todo o mundo fique sabendo que a floresta está correndo perigo", explica ao DN Roberto Medina.

O pulmão do mundo

"A Amazónia parece uma coisa distante mas é muito importante para o mundo inteiro", explica Medina. "20% da água doce do planeta está na Amazónia. É uma floresta que transpira todos os dias 20 biliões de litros de água. Essa floresta cria uma nuvem de água que passa pela cabeça da gente, por todo o Brasil e pela América Latina e vai até à Patagónia. Então, se estamos destruindo a Amazónia, esse não é um problema só do Brasil", avisa. E a destruição é real: nos últimos 40 anos a floresta perdeu 17% da sua dimensão. "Hoje em dia, o mundo está totalmente desconectado dessa causa da natureza e o que acontece é que há cada vez mais catástrofes naturais."

O que podemos fazer? "Denunciar a situação não chega. Vou pedir às pessoas de todo o mundo que plantem uma árvore. Plantar uma árvore é fácil, é algo que todos podem fazer. No Brasil, custa apenas três reais, o que é menos de um euro. E além disso é uma coisa bacana de se fazer."

Qualquer pessoa poderá contribuir para esse projeto. "Eu queria que cada bilhete do Rock in Rio Brasil virasse uma árvore mas isso ainda não está fechado", revela.

Música na Amazónia

O sucesso do projeto passa também por "uma campanha de comunicação muito forte", garante o empresário. Que inclui levar o tenor Plácido Domingo para um concerto "muito especial" em pleno rio Negro. "Vai ser lindo", antevê Roberto Medina. O concerto não será aberto ao público mas apenas para cerca de 200 convidados de todo o mundo - jornalistas, formadores de opinião, artistas, algumas pessoas famosas. O objetivo é levar as pessoas à Amazónia e sensibilizá-las para o problema. Além disso, o concerto será transmitido para todo o mundo.

Pouco depois de o concerto de Plácido Domingo terminar, ali perto, em Manaus, começa o concerto de Ivete Sangalo para toda população. "Para explicarmos a todo o mundo o que estamos fazendo ali."

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