Peças inéditas islâmicas na entrega do Prémio Aga Khan

Várias peças inéditas vão mostrar a herança islâmica na arquitetura em Portugal, numa exposição no Castelo de São Jorge, em Lisboa, que é inaugurada sexta-feira, no âmbito da entrega do Prémio Aga Khan para Arquitetura.

Benoît Junod, do Fundo Aga Khan para a Cultura, explicou a importância de fazer coincidir o prémio e a exposição e mostrar a nível internacional a herança islâmica arquitetónica encontrada em Portugal.

O responsável admitiu que as questões surgiram quando a capital portuguesa foi escolhida como palco para a entrega do prémio e a "resposta imediata" nasceu, "precisamente", do facto de Lisboa "ter uma herança islâmica e é para a mostrar que decidimos fazer esta exposição".

Junod recordou ainda que a exposição, que estará patente até 06 de janeiro, mostra que a arqueologia continua a dar frutos, como com as peças inéditas pedidas à arqueóloga e comissária da exposição, Rosa Varela Gomes.

A responsável, que trabalha na Universidade Nova de Lisboa, contou que as peças expostas proveem de Silves e do Ribat (convento islâmico) da Arrifana de Aljezur.

A arqueóloga assumiu a dificuldade em encontrar peças nunca expostas ou publicadas e "bem classificadas", uma vez que podem estar a "funcionar integradas nas estruturas".

"Não podíamos trazer para aqui um castelo", comentou à Lusa Rosa Varela Gomes, que decidiu centrar as suas escolhas nas peças recolhidas no Sul do país.

"São estuques com policromia, que pertenceram ao palácio do século XI, do famoso rei poeta Al-Mutamide, que, enquanto governador de Silves, construiu o seu palácio das varandas, que depois cantou num bonito poema já rei de Sevilha", exemplificou.

A responsável escolheu também maquetas representativas de locais islâmicos, alguns classificados como monumentos nacionais, como a igreja de Mértola, que foi mesquita, ou o poço cisterna e o castelo de Silves.

A exposição tem 26 peças, um desdobrável e um catálogo, que inclui a história da presença islâmica, a "descoberta do mundo islâmico através de um dos maiores historiadores portugueses: Alexandre Herculano", assim como indicações sobre espaços de fé.

Há igualmente referência a coleções do "pan-mourisco" e ao "fascínio entre portugueses e europeus pelo Oriente", cujo exemplo que perdura é o pátio neo-árabe da Casa do Alentejo, em Lisboa.

A Fundação Calouste Gulbenkian foi a parceira portuguesa para a mostra, nomeadamente em questões logísticas.

O Prémio Aga Khan para Arquitetura foi criado em 1977 e tem galardoado exemplos de trabalhos nos campos do design contemporâneo, habitação social, melhoria e desenvolvimento comunitário, preservação histórica, reutilização e conservação de espaços, assim como design paisagístico e melhoria do meio ambiente.

A cerimónia da entrega do prémio, que será atribuído a um dos trabalhos de uma lista de 20, vai ser presidida pelo príncipe Aga Khan, pelo presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa.

O prémio é de um milhão de dólares (770 mil euros).

Os projetos concorrentes variam entre uma moderna torre residencial e outros que fazem apelo a técnicas de construção tradicionais.

Os projetos nomeados, selecionados por um painel independente, estão localizados no Afeganistão, Áustria, China, Índia, Indonésia, Irão, Líbano, Marrocos, Palestina, Ruanda, África do Sul, Sri Lanka, Sudão, Síria, Tailândia e no Iémen.

Outros locais anteriormente escolhidos para entregar a distinção foram o Museu de Arte Islâmica de Doha, no Qatar, em 2010, e as Torres Petronas de Kuala Lumpur, na Malásia, em 2007.

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