Pecar pela suavidade

A Rapariga Dinamarquesa, de Tom Hooper

Eddie Redmayne tem vindo a tornar-se um ícone das progressivas transformações físicas e psicológicas no grande ecrã. Foi assim em A Teoria de Tudo, que lhe valeu o Óscar pela destemida interpretação de Stephen Hawking, e é assim neste A Rapariga Dinamarquesa, que percorre a história do pintor Einar Wegener, submetido a uma pioneira operação de mudança de sexo, na década de 1930, para se tornar Lili Elbe. Casado com outra pintora, Gerda (uma cada vez mais proeminente Alicia Vikander), assistimos aos primeiros sinais da metamorfose quando este ousa ser o modelo feminino dos seus quadros, extasiando-se com os tecidos sedosos que lhe cobrem a pele. E o que começa por ser apenas um "jogo" íntimo do casal converte-se numa dolorosa jornada para a aceitação.

Tom Hooper (O Discurso do Rei, Os Miseráveis) filma o drama biográfico desta mulher transexual - e da sua companheira de todas as horas - com um toque, por vezes, demasiado aveludado, artificialmente pictórico. Não acompanha a mudança. Falta-lhe a mesma febre e coragem que move a protagonista até ao limite da concretização do seu desejo.

Classificação: **

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