Passeio pedonal até à Torre de Belém fazia parte do projeto

O arquiteto Manuel Salgado, coautor do projeto do Centro Cultural de Belém (CCB), espera que, um dia, os visitantes possam percorrer um passeio pedonal entre a praça do Império e a Torre de Belém.

Esta era uma das ideias do projeto original do edifício, com cinco módulos, três deles construídos e inaugurados em 1993, para que o complexo do CCB funcionasse como palco cultural em Lisboa, indicou o arquiteto, em declarações à agência Lusa.

"Tenho pena que o projeto nunca tenha sido totalmente concluído. Havia duas razões: as dificuldades financeiras e o problema patrimonial, porque os terrenos nunca tinham sido pagos" à Câmara Municipal de Lisboa (CML), recordou o arquiteto de 68 anos, a propósito dos vinte anos de vida do CCB.

O projeto proposto pelo consórcio dos arquitetos Manuel Salgado e do italiano Vittorio Gregotti foi o escolhido entre os 57 que se apresentaram ao concurso internacional, para criar um edifício destinado a acolher a Presidência Portuguesa da União Europeia, em 1992.

Nascido em Lisboa, Manuel Salgado licenciou-se em arquitetura, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, e dirigiu o gabinete "Risco", de 1984 a 2007, onde desenvolveu projetos de arquitetura e urbanismo como o CCB, o Estádio do Dragão e a Expo'98.

Do projeto original do CCB, com cinco módulos para uma área de seis hectares, foram construídos três: o Centro de Reuniões, o Centro de Exposições e o Centro de Espetáculos. Os restantes dois módulos seriam destinados a acolher um hotel e uma biblioteca, mas foram sucessivamente adiados, devido a constrangimentos financeiros.

"O segundo problema foi ultrapassado recentemente, com a negociação entre o Estado e a CML. Agora espero que o primeiro entrave seja ultrapassado", comentou o vereador da autarquia, responsável pelo pelouro do Urbanismo e Planeamento Estratégico.

Manuel Salgado sublinhou que "a conclusão dos dois módulos dariam mais sentido ao projeto e permitiriam entender a sua lógica", inserida em toda a zona de Belém e dos seus monumentos.

"Uma das ideias do projeto era criar um passeio pedonal que ligasse a praça do Império à Torre de Belém", apontou, reforçando a ideia do enquadramento naquela zona, com uma área comercial e uma unidade hoteleira.

O quinto módulo, indicou, "já teve planos diversos, desde a ideia da biblioteca, uma escola de artes e ofícios e uma sala alternativa para apresentação de espetáculos".

Admite que o CCB foi das obras envoltas em mais polémicas que já construiu até hoje, devido aos custos e à localização, "mas foram digeridas ao longo de vinte anos".

"Essas polémicas estão hoje ultrapassadas, porque o edifício foi apropriado pela população em geral, e está totalmente assimilado. O CCB não é um corpo estranho", avaliou.

O arquiteto Manuel Salgado considera ainda que "todo o conjunto monumental naquela zona de Belém está hoje pacificado, e o problema de diálogo [entre edifícios muito diferentes] ficou resolvido".

"É importante recordar que, aquele espaço, era um depósito de máquina velhas da Junta Autónoma de Estradas, três fábricas desativadas e um antigo palacete do qual se manteve uma fachada", apontou à Lusa.

Manuel Salgado salientou ainda que "todas as administrações do CCB tiveram a grande preocupação de conservar o edifício, que se mantém em boas condições e parece acabado de construir".

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