Paratíssima leva a arte para as ruas de Alfama, Castelo e Mouraria

450 artistas participam no festival de arte urbana de 20 a 24 de julho, em Lisboa.

Do Martim Moniz, pela Rua da Mouraria, subindo pelas Escadinhas da Saúde, passamos pelo Largo da Rosa e depois o Largo dos Trigueiros e ainda o Largo da Achada, logo percorremos toda a Costa do Castelo, passando o Páteo Dom Fradique e espreitamos o rio das Portas do Sol e descemos as escadinhas de São Miguel, desembocando no meio de Alfama. Ou ao contrário, tanto faz. Este será o percurso de 2,5 quilómetros onde vão estar instalados ou decorrer os 375 projetos artísticos do Paratíssima, o festival de arte urbana que se realiza em Lisboa de 20 a 24 de julho.

O Paratíssima é um festival que nasceu em Turim, na Itália, em 2004. Segundo o seu criador, Damiano Aliprandi, desde o início, havia dois eixos fundamentais: por um lado, dar aos jovens artistas emergentes a oportunidade de mostrar o seu trabalho, e, por outro, a ligação à comunidade. Começou por ser um festival de rua mas como ali acontece em novembro acabou por passar para dentro de portas, mas sempre procurando espaços onde normalmente não acontece arte, como as prisões ou antigos espaços industriais. Depois de Turim, o festival expandiu-se à cidade de Skopje, na Macedónia, e a equipa está também a trabalhar para poder levar a Paratíssima à Polónia, China, Alemanha e Luxemburgo.

Para já, chega a Lisboa. A ideia de trazer o Paratíssima para Lisboa foi de Chiara Pussetti. Originária de Turim mas a viver há 16 anos em Portugal, é doutorada em antropologia cultural e atualmente dá aulas no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Chiara Pussetti interessa-se particularmente pela ligação entre etnografia e arte. "Acompanhei o nascimento do Paratíssima em Turim e vi como conseguiu chegar a territórios muito complicados. Pareceu-me que seria um projeto que poderia resultar em Lisboa que é uma cidade que já tem uma grande abertura e sensibilidade para a arte urbana", explica.

Chiara Pussetti é a responsável pela implantação do Paratíssima Portugal e é ela que tem acompanhado os projetos que nos últimos meses foram apresentados por 450 artistas - na sua maioria portugueses, mas também do Brasil, de Espanha, Itália e outros países, num total de 16 nacionalidades representadas. "Este é um festival democrático e inclusivo porque não há um júri que faça a seleção dos artistas. Todos podem participar desde que paguem os 10 euros da inscrição e o seu projeto esteja no âmbito do festival", explicou, esta manhã, na apresentação oficial do Paratíssima, que decorreu na sede da Fundação Millenium BCP, principal patrocinador do evento.

Para serem aceites, os projetos têm que estar relacionados com o território onde se apresentam. Para isso, nos últimos meses, Chiara Pussetti tem acompanhado vários artistas aos bairros da Mouraria, Alfama e Castelo e tem-se reunido com os habitantes e com as coletividades de lá, procurando encontrar a melhor maneira de pôr as mais de mil obras de arte naquelas ruas. Haverá obras na área das artes plásticas, intervenções urbanas, vídeo, fotografia, design e moda, mas a organização não revela ainda mais pormenores.

"Não queremos usar a cidade como se fosse uma galeria, independentemente de quem viva lá", explica. Pelo contrário, a ideia é que criar relações entre os habitantes e os artistas e fazer com que, a partir daí, surjam as obras de arte. "Também queremos que as pessoas participem durante o festival, que sejam a nossa equipa no terreno, na receção aos artistas e aos visitantes."

O festival vai durar cinco dias - de quarta a domingo - e tem previstas uma série de atividades paralelas, como workshops com os artistas, ateliers para as crianças, conferências e debates. Está prevista, por exemplo, a presença da artista e ativista tunisina Takoua Ben Mohamed.

Miguel Coelho, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, promotora do evento, acredita que esta será "a maior exposição de arte contemporânea ao ar livre da Europa". E Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que também esteve na apresentação, sublinhou a importância de dar voz à população de bairros que, até há pouco tempo, estavam muito fechados sobre si mesmos.

[Notícia corrigida às 16:05]

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