O som do Alentejo pelo mestre da viola campaniça

A viola campaniça estava condenada ao desaparecimento. Há 20 anos Pedro Mestre resgatou-a. Agora lança o primeiro álbum a solo

Enche uma sala ao entrar. Alto, de capote alentejano vestido, chega à Casa do Alentejo, em Lisboa, numa manhã chuvosa. A caixa da viola campaniça na mão direita. Quando Pedro Mestre ouviu pela primeira vez este instrumento tocado pelo trio do "senhor Manuel Bento, do senhor Francisco António e da dona Perpétua [cantadeira]" achou que "era impossível aquilo existir". Era como que "uma coisa assim muito arcaica que nos transportava lá para muito longe". Apaixonou-se e perguntou: "De onde é que isto vem que eu nunca ouvi falar?"

"Isto" era a viola condenada a desaparecer, esquecida num Alentejo para o qual a campaniça, cujos arames tradicionalmente se dedilham apenas com o polegar a correr para a frente e para trás, "era coisa dos velhos." Mas havia dois tocadores, Manuel Bento e Francisco António, e havia um rapaz de 11 anos, Pedro Mestre. Perguntaram-lhe várias vezes: "Você tem a certeza que quer aprender isto?". Ele, hoje com 30 anos, anuiu. Passados dois meses tocava com eles. Agora lança Campaniça do Despique, o seu primeiro álbum a solo após quase vinte anos de uma vida que se confunde com o renascimento da sonoridade alentejana.

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