O regresso de Taxi Driver e outras novidades

Reposição em cópia restaurada do clássico de Martin Scorsese assinala os 40 anos da obra. Chega a 22 de setembro aos cinemas

É bem verdade que a exposição pública dos filmes no mercado cinematográfico continua a mostrar muitos desníveis. Há estreias em dezenas de ecrãs, outras "escondidas" em duas ou três salas; campanhas com televisão e muitos cartazes, outras nem por isso... Mas importa não entrarmos no jogo fácil da culpabilização. O espectador de espírito realmente cinéfilo (entenda-se: com gosto pela descoberta) não se pode queixar.

Em anos recentes, um dos fatores que tem promovido a diversidade é o retorno das reposições. Nesta rentrée, o destaque vai todo para Taxi Driver, de Martin Scorsese - é mesmo verdade: o pesadelo novaiorquino de Robert De Niro faz 40 anos e vai poder ser revisto numa sala escura a partir de 22 de setembro.

O género documental também já conquistou o seu espaço e terá, nos próximos tempos, um lançamento que, curiosamente, está a ser tratado como um acontecimento global, à maneira dos "blockbusters": chama-se The Beatles: Eight Days a Week, tem assinatura de Ron Howard, e recorda, muito em particular, os concertos que os quatro de Liverpool deram nos EUA, em meados da década de 60. A ter em conta também o magnífico Hitchcock/Truffaut, de Kent Jones, evocando o diálogo e cumplicidade dos dois cineastas.

Entretanto, o mercado vai continuar a lançar alguns títulos que começaram por ter visibilidade no Festival de Cannes. Se as Montanhas se Afastam, de Jia Zhangke, já vem da edição de 2015, mas não deixa de ser um complexo e perturbante retrato da história moderna da China. Julieta, de Pedro Almodóvar, este da secção competitiva deste ano, vai por certo continuar a suscitar divisões entre os fãs do cineasta espanhol e os menos entusiasmados com a evolução da sua carreira. Ainda a merecer destaque surge um dos fenómenos de culto da secção "Un Certain Regard": é uma parábola familiar, chama-se Capitão Fantástico, tem assinatura de Matt Ross e há quem diga que a interpretação de Viggo Mortensen lhe pode vir a valer uma nomeação para o Óscar.

Autores individualistas e intransigentes não vão faltar. O destaque vai para o americano Larry Clark, o realizador do já clássico Kids (1995), com The Smell of Us, ainda e sempre obcecado com as vidas ocultas dos adolescentes. Estrearão ainda Cézanne e Eu, de Danièle Thompson, sobre as relações entre Emile Zola e Paul Cézanne, e O Clã, história verídica de um gang especializado em raptos, pelo argentino Pablo Trapero. Tudo isto sem esquecer o retrato cinéfilo, didático e comovido que João Botelho propõe em O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu.

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