O que ela andou para encontrar de novo a sua cabeça

Eu quero a minha cabeça!, de António Jorge Gonçalves, chega às livrarias dia 28, mas os desenhos já podem ser vistos na FNAC do Chiado

Céu perdeu a cabeça. Não se irritou. Perdeu literalmente a cabeça. A primeira vez que a perdeu - talvez não logo ali, mas foi assim que a história nasceu - o autor, António Jorge Gonçalves, estava em casa a contar histórias à filha. Se a personagem já se chamava Céu, eles o saberão. Certo é que quando, no ano anterior, a história passou para o palco do Teatro Maria Matos, em Lisboa, Céu já tinha o seu nome.

A peça A Montanha, em que a menina, de tantas vezes dizer "não" ao seu pai, perdeu a cabeça, deu depois origem a Eu quero a minha cabeça!. O álbum ilustrado da demanda de Céu pela sua cabeça tem lançamento marcado para dia 28 de novembro às 16.00 na FNAC do Chiado, em Lisboa.

Mas na sala onde o livro será apresentado já figuram em exposição as ilustrações de António Jorge. As desse livro e as do anterior, Barriga da Baleia - ambos editados pelo Pato Lógico - que antes de ser livro também foi peça de teatro para crianças.

Quando o encontrámos para conversar sobre a peça, em dezembro último, a conversa centrava-se nessa montanha que Céu teve de subir e em cujo coração teve de entrar para voltar a encontrar a sua cabeça. E centrava-se nela porque a história nasceu enquanto o ilustrador lia A Montanha Mágica, de Thomas Mann, e foi contando capítulos à filha até os começar a inventar. Desta vez, António Jorge Gonçalves estava em Paris, e foi por escrito que falou desse álbum ilustrado em que Céu, antes de encontrar a sua, há de experimentar uma "cabeça-flor" ou uma "cabeça-nuvem".

Subir a montanha

Mais do que mágica, "a montanha estava muito na minha cabeça, todo o imaginário da subida e da descida, a solidão no cimo da montanha, a dificuldade da escalada, as várias declinações da montanha no i-Ching [ou Livro das Mutações, livro clássico chinês]", explica o ilustrador. Quanto ao final da história, adiante-se que, para sair do coração da montanha, Céu, já de cabeça de novo assente, terá de dizer uma palavra mágica. "A resolução" desse final, conta António Jorge, "foi descoberta já quase no final do período de ensaios" com a atriz Ana Brandão.

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