O quadro mais caro do mundo também foi apanhado nos Papéis do Panamá

"Femme d' Algers (Version O)" foi vendido por 36 milhões de euros em 1997 e mudou para sempre o mundo da arte. Os Papéis do Panamá mostram que a coleção Ganz tinha sido vendida ao milionário Joe Lewis.

O quadro de Picasso atingiu preços astronómicos em 2015 e continua a ser hoje a obra de pintura vendida em leilão mais cara de sempre, 157 milhões de euros. O novo dono é o milionário do Qatar Hamad bin Jassim bin Jaber Al Thani, mas é por causa da venda de 1997 que esta peça se cruza com os Papéis do Panamá.

Nesse ano, no leilão da Christie's, o quadro obteve o primeiro recorde: 28 milhões de euros. O The Guardian descreve o ambiente de então. Nos dias que precederam a venda 25 mil pessoas passarem pela Christi's. Duas mil pessoas na sala da leiloeira em Manhattan, Nova Iorque, entre elas o detentor da marca de cosméticos Estée Lauder e o pai de Bill Gates. Foram abertas 60 linhas telefónicas para receber licitações. Quando terminou o mundo da arte tinha mudado para sempre", escreve o jornal britânico. A arte tornava-se uma mercadoria transacionável ao lado do mercado de ações ou imobiliário, lembra a publicação.

O que não se sabia e os Papéis do Panamá estão a desvelar é que antes de chegar ao leilão, a coleção Ganz já tinha sido vendida. Tinha sido vendido o quadro La Femme d' Algers (version O) e tinham sido vendidos outros quadros valiosos que também iam à praça no mesmo dia.

O acordo foi assinado seis meses antes. Uma empresa sediada num paraíso fiscal, controlada pelo milionário Joe Lewis, tinha comprado as peças mais valiosas. No mesmo dia tinha combinado a venda em leilão. As obras deveriam ser vendidas como sendo parte da Coleção Ganz.

O que os documentos que saem da firma Mossack Fonseca contam agora, na investigação que está a ser levada a cabo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que Joe Lewis pagou 147 milhões de euros por um conjunto de obras apostando que conseguiria mais do que isso quando elas fossem a leilão. E ganhou.

O milionário em causa, mais conhecido hoje por ser dono do clube de futebol Tottenham, fez fortuna nas Bahamas em 1979, trabalhou com George Soros, investiu na cadeia de restaurantes Planet Hollywood e detém várias empresas offshore.

Lewis é conhecido por viajar pelo mundo nos seus iates de grandes dimensões, que navegam recheados de obras de arte. De Lucian Freuda Gustav Klimt, de Paul Cézanne a Picasso.

A coleção Ganz nasceu após a Segunda Guerra Mundial, quando o casal que a detinha começou a colecionar obras de arte. Picasso, Frank Stella, Jasper Johns, Robert Rauschenberg e outros pioneiros do abstrato, como resume o The Guardian. Colecionaram durante 50 anos, investiram 2 milhões de dólares. Quando morreram, os filhos decidiram vender os quadros.

Este não é o primeiro caso do mundo da arte a ser revelado pelos chamados Papéis do Panamá. O Le Monde, um dos membro dos Consórcio de Jornalistas de Investigação, afirma que existem casos relacionados com Claude Monet e também Damien Hirst.

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