"O principal desbloqueador da criatividade é o tempo"

Formados por André Henriques (baixo), Hélio Morais (bateria), Cláudia Guerreiro (baixo e voz) e Pedro Geraldes, os Linda Martini editaram agora "Sirumba", um dos álbuns portugueses mais aguardados do ano.

Três anos depois do aclamado Turbo Lento, os Linda Martini estão de regresso aos discos com Sirumba, um álbum que marca uma viragem no som da banda lisboeta, agora mais trabalhado e próximo de um formato canção até hoje nunca explorado. Um trabalho apresentado pela primeira vez aos fãs hoje à noite, no palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, num concerto que marcará também a estreia do grupo numa das mais míticas salas nacionais.

Estão prestes a estrear-se numa das mais emblemáticas salas do país, o Coliseu. Sentem uma responsabilidade acrescida por isso?

Cláudia Guerreiro (C.G.): Sentimos é mais a responsabilidade de apresentar o disco pela primeira vez. Isso sim, é um bocado assustador, porque ainda temos muito que ensaiar. O Coliseu é uma sala grande e mítica, onde já vimos belos concertos e nunca tínhamos pensado tocar. Quando começámos esse tipo de salas não fazia parte do nosso circuito e por isso é que é bom chegar lá agora.

Hélio Morais (H.M.): Foi algo que aconteceu de forma progressiva. De disco para disco apercebemo-nos de que tínhamos cada vez mais público e fomos sempre escolhendo salas capazes de albergar mais gente. No disco anterior enchemos a Sala Tejo do MEO Arena e acima disso só havia o Coliseu.

André Henriques (A.H.): O circuito é pequeno e também não há muitas salas por onde escolher. Foi mais por uma questão de dimensão e não tanto por ser o Coliseu, mas enquanto banda reconhecemos que é um passo importante.

Mas acaba sempre por ter um certo simbolismo, ou não?

A.H.: Claro que sim, até mesmo por nunca termos pensado nisso, em termos de objetivo. E estamos com a pica toda para lá tocar, porque é a primeira apresentação do disco aos nossos fãs. Essa sensação de respeito pelo Coliseu, se calhar só a vamos sentir na altura, quando subirmos ao palco e olharmos para o público, porque a verdade é nunca estivemos nessa posição, normalmente estamos também do outro lado, a ver as bandas de que gostamos.

C.G.: A verdade é que vamos apresentar o disco para pessoas e essas são as mesmas ali ou em qualquer outra sala.

Pedro Geraldes (P.G.): E há também o facto de já não tocarmos ao vivo há algum tempo. Estivemos alguns meses afastados dos palcos, para compor o novo disco, e isso também nos dá assim um nervosismo suplementar, que é sempre bom de sentir.

Como é que veem este crescimento, em termos de público, de bandas ditas mais alternativas, como os Linda Martini ou os Paus, que nos últimos anos têm enchido as maiores salas do país?

H.M.: O papel mais importante nesse crescimento pertence ao público, porque hoje em dia a maior parte das bandas já não está dependente das rádios ou de um circuito de promoção para mostrar o seu trabalho, como acontecia até há alguns anos. Acima de tudo, é a demonstração de que se as bandas tiverem um núcleo duro de público fiel também é possível crescerem a partir daí, em conjunto com os fãs. As pessoas que gostam de nós acabam por trazer outras.


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