O português que está à frente da revolução audio dos blockbusters

Nuno Fonseca, um engenheiro do Politécnico de Leiria, criou um sistema de som revolucionário através de partículas. Hollywood está louca com a sua invenção usada em Batman Vs Super-Homem. Seguem-se outras megaproduções

Tecnologia de áudio com sistemas de partículas. Frase mágica em Hollywood nos departamentos de som. Desde há um ano que um engenheiro informático e professor do Politécnico de Leiria está a revolucionar o som das grandes produções de Hollywood. Batman vs Super-Homem - O Despertar da Justiça, de Zack Snyder, em exibição, foi o mais recente filme a usar o software criado por Nuno Fonseca, 40 anos, que de Leiria criou um utensílio que pegou de estaca com os sound-designers dos maiores estúdios americanos.

Depois de uma investigação por conta própria, Nuno foi até aos EUA, deu algumas palestras e, de repente, os estúdios de som Skywalker estavam já a comprar-lhe o software e a utilizar a versão beta do mesmo. Um processo verdadeiramente súbito. Tão súbito que a Metro Goldwyn Mayer utilizou-o em Poltergeist, de Gil Kenan, o remake do filme de Tobe Hooper, estreado o ano passado. Depois disso as partículas sonoras deste leiriense já se espalharam por filmes como Steve Jobs, A Floresta e The Walk: O Desafio. Este ano, o grande desafio foi Batman vs Super-Homem: O Despertar da Justiça, onde o som inclui prédios a cair, super--heróis a voar e um sem número de ruídos de explosões. A procura pelo Sound Particles é tanta que outros filmes de grande nomeada deste ano vão ter este software made in Portugal. "Neste momento, por razões de copywright ainda não posso revelar os títulos", diz ao DN.

Mas qual é mesmo a mais-valia desta "revolução"? "Com esta nova tecnologia, o computador consegue criar e gerir milhares de sons em simultâneo, conseguindo um resul- tado muito mais realista e com muito menos trabalho. Diria mesmo orgânico...", diz-nos com natural orgulho e acrescentando que é uma alegria imensa depois ver no cinema o que os magos da pós-produção áudio conseguiram fazer com a sua criação. Poltergeist foi o que o deixou mais surpreendido com as possibilidades da sua ferramenta.

Formado no Técnico, este engenheiro informático chegou a estudar música mas garante não ser um músico frustrado: "penso que o que faço bem é a ponte entre os dois mundos: o tecnológico e o do áudio". Diz também estar muito agradado pela forma como os grandes diretores de som dos maiores filmes de Hollywood estão felizes com a sua descoberta e garante ter sido um prazer poder conhecê-los quando visitou alguns dos estúdios. A ideia, agora, é continuar a criar novas evoluções do software (jogar com o Dolby Atmos e com o tempo real...), mas sempre em Leiria e sempre sozinho.

A questão que se põe é se estará já multimilionário... "Não, mas não me posso queixar. Só com os direitos de autor já ganho mais do que o meu ordenado. Para já, tudo isto ainda é só começo: quero que em Hollywood mordam o anzol! Na prática, cada software funciona por licença de utilizador da versão comercial que está à venda na appstoreeuro."

Em Portugal já há empresas de pós-produção áudio que adotaram o sistema, mas ele próprio percebe que as suas soluções se adequam mais a um tipo de cinema com mais efeitos e misturas sonoras: "Onde o software brilha mais é nas superproduções onde há um trabalho muito maior a nível de som". Mas com tanta Holly-wood será que não sonha com um daqueles Óscares técnicos, dados a quem descobre novos sistemas? "Claro que já pensei nisso, mas é difícil. A Academia subestima um pouco o som...".

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