O lobo dos mares que criou o mergulho e nos revelou o fundo oceânico

Jacques Cousteau foi oficial da marinha francesa, inventor, oceanógrafo e explorador.

Conta-se que, aí pelos seus 11 anos, Jacques-Yves Cousteau era um menino de compleição frágil, e que o médico aconselhou os pais a pô-lo na natação. Isso foi decisivo para tudo o que se seguiu. Nadar ajudou o rapaz a ganhar corpo e confiança, mas abriu-lhe também um novo horizonte e apontou o rumo da sua vida: o da exploração dos oceanos e das suas profundezas, que ele foi também o primeiro a mostrar ao mundo, através dos seus documentários quase mágicos.

Há um antes e um depois de Jacques-Yves Cousteau quando falamos de oceanos. Tanto em relação aos novos conhecimentos sobre eles e a surpreendente diversidade de vida que albergam, como na própria imagem que as pessoas comuns passaram a ter sobre a parte líquida do planeta. Foi este comandante, explorador, inventor e documentarista francês que, a bordo do seu mítico Calypso - um antigo draga-minas da Segunda Guerra Mundial que ele comprou e converteu em navio oceanográfico -, deu a conhecer a milhões de pessoas a riqueza até aí insuspeita desse mundo azul e imenso.

Jacques-Yves Cousteau nasceu a 11 de junho de 1910 em Saint-André-de-Cubzac e cresceu em Paris, para onde os pais se mudaram logo a seguir. Na escola, distinguiu-se sobretudo por se mostrar frequentemente desatento e desinteressado, por vezes mesmo rebelde. As aulas de natação, entretanto, produziram efeito e o jovem Jacques decidiu rumar, aos 20 anos, à Escola Naval, em Brest, onde se graduou três anos mais tarde, como artilheiro, passando a integrar a marinha francesa.

Um dia, em 1936, novo momento mágico. Perto do porto de Toulon, foi nadar no mar e alguém lhe emprestou uns óculos para ver debaixo de água. O então jovem oficial da marinha francesa ficou tão maravilhado com aquela paisagem subaquática, até aí insuspeita, que não descansou enquanto não inventou um fato de mergulho que lhe permitisse ficar durante algum tempo debaixo de água.

Conseguiu-o em 1943, em colaboração com o engenheiro francês Émile Gagnan, e batizou o seu invento de aqua lung. Nesse mesmo ano, mergulhou até aos 20 metros de profundidade e a partir daí ninguém mais o parou.

A bordo do Calypso, a partir de 1950, percorreu com a sua equipa todos os mares do mundo, mergulhando e registando imagens das profundezas oceânicas até aí desconhecidas. Mostrou-as depois em documentários que fizeram sonhar muitas gerações.

O rio Tejo ficou ligado ao pior episódio da sua vida: a morte do filho mais novo, Philippe Cousteau, que aos comandos de um hidroavião se despenhou no estuário, frente a Alverca, no dia 28 de junho de 1979.

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