O livro que passou primeiro pelos olhos dos psicanalistas

'A Resistência', do brasileiro Julián Fuks, é o título do seu primeiro romance em Portugal.

Quando esteve nas Correntes d"Escritas, na Póvoa de Varzim, o escritor brasileiro Julián Fuks fez três declarações a propósito de si enquanto escritor e sobre o romance que foi recentemente publicado em Portugal, A Resistência: "Sou um escritor que não sabe inventar, obscuro e de uma terra longínqua". Fuks quis provocar, confessa quando confrontado com estas palavras: "Efetivamente, não se pode ser um escritor sem capacidade de inventar, mesmo que neste livro tenha um grau menor de invenção do que nos anteriores." Quanto ao obscuro, também explica: "Quem me ouve em Portugal, dificilmente terá lido qualquer coisa que eu tenha escrito." Fica em falta a terra longínqua, da qual diz algo inesperado: "Não sei qual o grau de contacto que possa haver entre o Brasil e Portugal, visto que a literatura portuguesa é mais bem recebida e mais lida lá do que a literatura brasileira aqui."

Ou seja, as provocações feitas na sua intervenção tiveram eco e não será por acaso, afinal o crítico de livros optou por se dedicar à literatura e sabe os truques literários que os autores usam para terem sucesso. Tanto assim que em 2012 foi considerado pela Granta um dos vinte jovens autores mais promissores e os seus livros não têm passado despercebido no Brasil. Julián Fuks não sorri quando se refere este elemento do seu percurso literário, aliás o autor evita perder a pose de escritor sério: "Não levo isso da Granta tão a sério. A publicação dessa lista deu muita polémica e nem toda a gente concordou, pelo contrário, houve um debate que foi positivo porque um motivo banal obrigou a debater o que está a ser feito na literatura jovem contemporânea."

Se a lista da Granta não é para "levar a sério", já o que está na base do romance A Resistência é coisa séria, porque o ponto de partida do livro é a sua história familiar: "É daquelas que dá para um romance porque o pano de fundo factual e histórico teve influência direta na vida da minha família." Esclarece: "É óbvio que há uma construção ficcional a partir desse mundo real, que tem uma montagem narrativa para que contenha a sequência lógica própria da ficção em vez da realidade."

As duzentas páginas do livro não são fáceis já que Fuks cruza o tema da repressão política na Argentina e no Brasil durante os tempo das ditaduras militares com os cidadãos politicamente perseguidos. Um assunto que tem a ver diretamente com os seus pais: "A situação do meu irmão como filho adotivo é o ponto de partida. Depois segue-se a história dos meus pais contra a ditadura militar, que foi contada à maneira deles ao longo do tempo."

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