O lesbianismo censurado do Quénia

Era um dos casos do Festival. Um filme queniano proibido pelas autoridades locais por mostrar uma história de amor entre duas raparigas.

Chama-se Rafiki/Amiga e é realizado por Wanaru Kahiu e narra uma relação lésbica entre a filha de um candidato político com a filha do candidato rival. De realçar que no Quénia a homossexualidade é considerada um crime.

Rafiki, se não fosse a sua missão nobre de denunciar um flagelo humano, jamais poderia estar em Cannes, neste caso na secção oficial do Un Certain Regard. Um filme de uma inocência infantil e com uma carga de panfleto sem qualquer abertura para a qualquer brecha de poesia. Kahiu cai mesmo nas armadilhas das narrativas mais juvenis, filmando a atração sexual como uma falta de sensualidade gritante, tendo de recorrer a canções onde as letras tentam explicar o amor inocente entre as duas adolescentes.

Desilusão também foi Wildlife, filme de abertura da Semana da Crítica. A estreia do ator Paul Dano na realização a partir do romance de Richard Ford, que se centra no fim do sonho americano de uma família no Montana dos anos 1960. Obra que já tinha chegado do Festival Sundance com críticas pouco entusiastas e que repete todos e mais alguns tiques de um certo cinema "indie" americano.

Wildlife, com uma interpretação demasiado "esforçada" de Carey Mulligan, peca por ser um exercício de estilo vazio e perdido no fascínio de uma certa iconografia "vintage" americana.

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