O ilustrador de Star Wars que convenceu George Lucas

O ilustrador japonês Tsuneo Sanda tornou-se um dos principais nomes no que respeita à "arte Star Wars" ao ganhar a confiança de George Lucas.

A menos de seis dias da estreia no episódio VII da saga Guerra das Estrelas, o ilustrador Tsuneo Sanda é um dos milhões de curiosos sobre o que estará nos 136 minutos de filme. O artista é um fã da saga, mas não só, é que desde há duas décadas que George Lucas aprecia as suas pinturas sobre o universo que inventou.

Em entrevista feita na Comic-Con, Tsuneo Sanda garante que o seu trabalho artístico não está limitado ao tema Star Wars, mas não nega que tem estado particularmente empenhado nesta temática: "Onde só crio o género de arte de que gosto." Interessa-se pela saga desde o momento em que ficou impressionado com os filmes de George Lucas. Prefere o episódio V, bem como os personagens Yoda e Darth Vader.

O seu trabalho artístico está limitado ao tema Star Wars?

Não, no entanto tenho estado particularmente empenhado nesta temática, em que só crio o género de arte de que gosto.

Pode dizer-se que é um grande fã da saga?

Ah, isso sim, confirmo.

Desde quando se interessa?

O momento em que fiquei mesmo impressionado com os filmes da saga de Lucas san foi quando se estreou no Japão o episódio V. Marcou-me muito.

Na altura em que surge um novo episódio, acha possível que o universo Star Wars se expanda indefinidamente?

Sim, não duvido disso.

Com a intensidade dos primeiros seis episódios?

Talvez não seja assim tão fácil, afinal o princípio da saga foi tão criativo e fantástico! A solução está na criatividade, como acontece com a minha arte. É preciso encontrar outros pontos de interesse, pois, se no início tudo era novo e era fácil encontrar ideias, agora está muito explorado e é difícil criar coisas com grande impacto.

Qual das personagens mais o seduz na saga?

...Gosto de todos, confesso. Mas é claro que o Yoda e o Darth Vader me são muito simpáticos.

Alterou as suas técnicas de pintura para tratar deste tema?

Não, a técnica não mudou, apenas os temas desde que me interessei por Star Wars. E dentro da saga há uns que me interessam mais porque pretendo ser original no tratamento que faço, designadamente em pintar a "Força". Tento expressá-la como a entendo, o que é um problema, porque, como não existe mais nenhum artista que trate a "Força" na arte, não tenho com quem fazer comparações. É preciso esforçar-me.

A sua inspiração é só o filme?

Nem sempre fico apenas pelo que os filmes mostram, tanto que muitas das ilustrações com personagens situam-se fora do que acontece no ecrã. Desenvolvo-os em novos cenários, o que é uma experiência que me desafia bastante.

O realizador George Lucas gosta dessas liberdades?

Sim, Lucas san aceitou as minhas regras e até fez questão de me entusiasmar ao nível da criatividade.

Qual é a sensação de trabalhar com George Lucas?

A única coisa que posso dizer é que é quase um sonho. Estive com ele no Rancho Skywalker aquando de uma visita que fiz e quando nos encontrámos foi muito emocionante porque disse que gostava da minha arte e que tinha uma coleção das minhas ilustrações no seu escritório.

Considera Star Wars mais ocidental ou é mundial?

O filme é de âmbito internacional e abrange todas as pessoas. O que não impede de na minha arte enquadrar-se segundo uma visão muito própria do que é o meu mundo.

Há uma perceção diferente quando é visto desde o Japão?

Não sei bem o que dizer... Talvez as grandes diferenças estejam ao nível visual e na questão estética. Quando criei o projeto Star Wars, parti do princípio de que teria de ser exibido e admirado. Não era apenas desenhar que me interessava, a arte deveria estar na parede e ser vista.

Como é que tudo começou?

Foi por acaso. Houve um agente que veio ter comigo e perguntou se não queria criar um universo destes. O objetivo dele era que o meu trabalho devia centrar-se em qualquer coisa grandiosa, como Star Trek ou Star Wars. Eu não me importei de o fazer, mas queria guardar muitas dessas ilustrações para mim. A mudança aconteceu quando encontrei Lucas san e ele mostrou interesse no meu trabalho. Só então compreendi que tinha de criar uma arte que o impressionasse. Ao mesmo tempo, senti que tinha de fazer algo bastante diferente e que seria preciso manter esse nível de exigência muito alto. Se até esse momento trabalhava a tempo parcial na pintura, desde então tive de desistir de tudo e dedicar a vida a esta ocu-pação. Foi assim que tudo aconteceu.

Quanto tempo demora a fazer uma ilustração?

Por norma consigo terminar uma pintura em três semanas, mas ofereço-me sempre mais uma para executar os últimos retoques. Antes de dar por finalizada, vejo os pormenores, revejo e retoco até dar por terminado o trabalho da forma mais completa. Só assim é que considero estar a fazer uma arte que possa ser apreciada no futuro. Não quero que o meu trabalho no Star Wars fique fora de moda daqui a 20 anos.

Qual será a razão desta saga ser tão popular em todo o mundo?

Creio que as personagens são tão atrativas e que a impressão do primeiro episódio (o IV) foi tão forte que ficou na mente das pessoas. Por mim, o segundo episódio (o V) ainda foi melhor do que o inicial. Tal como os fãs esperam sempre mais e mais de George Lucas, também penso que ele se esforçou para corresponder às expectativas e nunca baixou o nível dos filmes. Creio que fazer isso com Star Wars terá causado em Lucas san uma grande pressão.

Já gostava de ficção científica?

Sim, é um género literário de que gostava bastante. Tanto em filmes como em livros.

O Star Wars ultrapassou o que lia anteriormente?

Sim, sem dúvida, mesmo que no princípio não tenha pensado no assunto. Achei que seria mais uma série e que nunca teria tanto impacto em mim e na minha carreira, como acontece.

No início dizia que Rembrandt era uma das suas influências. Ainda é?

Cada vez menos, até porque sinto que tenho de concretizar o meu próprio estilo.

Se tivesse de escolher a característica da sua obra, qual seria?

A luz e a sombra, que é um elemento único e que não pode ser separado. Sinto que são o efeito principal numa ilustração.

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