O dia em que o público português descobriu os Lucius

Os nova-iorquinos Lucius protagonizaram um dos concertos mais surpreendentes do primeiro dia de festival.

Os australianos Temper Trap abriram o palco maior da edição deste ano do Super Bock Super Rock, no MEO Arena, com um concerto já muito recheado pelas músicas novas do terceiro e recente álbum Thick as Thieves. A banda provou ao longo do concerto ter aguentado bem o embate de ter ficado reduzida a quarteto com a saída do guitarrista principal Lorenzo Sillitto. Um vazio que está a ser eficientemente ocupado pelo multi-instrumentista Joseph Greer.

Agora de tranças índias, o vocalista Dougy Mandagi mostrou-se impressionado por tocar numa sala tão grande (embora estivesse ainda muito desocupada). E o baixista Jonathon Aherne fez um grande elogio ao nosso público tão apaixonado, que conhece das andanças pelo festival de Paredes de Coura.

O rock que tocaram ao longo de uma hora não se odeia nem se adora, tal a insipidez. Os Temper Trap têm aquela crença num mundo melhor que move bandas similares como os Coldplay ou os Imagine Dragons.

Por muito que se force alguma espiritualidade, como no novo tema Summer"s Almost Gone, para dar aquela imagem de banda mais séria, o amontoado de canções dos Temper Trap é um abuso de lugares comuns, apesar da pujança com que se apresentam ao vivo.

Debaixo da pala do Pavilhão de Portugal, Kurt Vile foi quem atraiu a maior multidão ao Palco EDP, apesar da concorrência ao início da noite do Palco Super Bock (o tal do MEO Arena). O guedelhudo, com talento solista para a guitarra elétrica, mostrou os seus atributos no banjo, ao interpretar I"m an Outlaw, um dos temas fogosos do seu último longo B"lieve I"m Goin Down... Apesar do charme arrastado das suas maravilhosas canções, há uma injeção maior de energia e de rapidez ao vivo, com os seus três músicos. Sobretudo em Pretty Pimpin, onde o público pôde mostrar a sua aptidão cantora.

Horas antes, pertenceu aos nova-iorquinos Lucius um dos concertos mais surpreendentes no Palco EDP. Pela primeira vez em Portugal, o quinteto destaca-se pela cumplicidade entre as duas vocalistas de perucas loiras Jess Wolfe e Holly Laessig. Cantam de forma sincronizada, como se fossem irmãs siamesas. E vestem-se como gémeas - ambas de vestido curto de Verão e uma capa por cima. Na retaguarda, dois dos instrumentistas têm uma queda para as pequenas baterias (de dois tambores e um prato cada), tocadas de pé, e as próprias vocalistas Jess Wolfe e Holly Laessig também não prescindem de tocar cada uma o seu tambor. Naqueles momentos de tanta percussão, os Lucius tornam-se numa espécie de Tocá Rufar canalizados para o indie pop. Fizeram questão de apresentar as novas canções do disco Good Grief. Mas para o público que não os conhecia, foram os próprios Lucius que se apresentaram. E que boa imagem deixaram.

Depois dos Lucius, a atmosfera ficou mais melancólica com a banda de indie-folk irlandesa Villagers. O líder Conor O"Brien é o fio condutor de todo o grupo, sempre muito empenhado na forma como canta. Também há harpas por aqui (tal como na atuação de Surma que abriu o Palco EDP) e outros instrumentos volumosos como o contrabaixo. No Palco Antena 3, Benjamin (Walter Benjamin na sua outra vida, quando cantava em inglês) destacou-se à luz do sol com o seu pop-rock inventivo e escorreito, tocado sempre de sorriso largo por ele e pelos seus quatro instrumentistas).

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