"Nunca as condições foram tão adversas"

Apesar de, como diz José Jorge Letria, não ter "capacidade financeira para dar dinheiro", a Sociedade Portuguesa de Autores continua, anualmente, a distinguir o trabalho artístico.

A 22 de maio comemora-se o Dia do Autor Português. Há quanto tempo existe e qual a importância dessa data?

Existe desde 22 de maio de 1925, data em que foi fundada a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). É um dia com um grande valor simbólico e com um enorme valor unificador. É o dia de os autores estarem juntos e de saberem que nesta casa [na SPA] os seus direitos serão sempre salvaguardados. Trata-se, essencialmente, de um dia de festa, apesar de todas as adversidades.

Está a falar de que tipo de adversidades?

De uma forma geral e em particular para a cultura, nunca as condições foram tão adversas como hoje. No que toca à cultura, isto verifica-se a vários níveis: há falta de legislação, falta de cobranças e existe um clima muito desfavorável que não fomenta a atividade institucional relativamente àquilo que o País e os autores portugueses têm para dar.

No entanto, a SPA, que faz 89 anos, continua a conseguir e a fazer questão de, anualmente, atribuir prémios aos autores.

Sim, isso é verdade. É uma forma de reconhecer o seu trabalho nas mais variadas disciplinas. Não temos capacidade financeira para dar dinheiro. Aliás, de todos os prémios atribuídos, apenas um tem componente monetária, que é o Prémio de Consagração de Carreira.

E qual é o valor?

É de 2500 euros.

E este ano a premiada é a poetisa e jornalista Maria Teresa Horta. Porquê esta escolha?

Decidimos premiar a Maria Teresa Horta pela extensão e representação da sua obra. Ela tem tido uma atividade criadora múltipla e, além disso, é uma grande figura nacional. Como escritora (e também como pessoa), defende valores tão elevados como a liberdade e a dignidade, que devem ser reconhecidos. Com a entrega deste prémio é isso que a SPA procura, de alguma forma, fazer.

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