No Entrada Livre até o diretor do Nacional tem um sofá

A partir de amanhã há três dias gratuitos para experimentar a nova temporada do Teatro Nacional D. Maria II. E outras propostas

É uma espécie de Nacional Redux o que acontece de sexta a domingo no D. Maria II. A essência da nova temporada dá-se a ver e a provar nas suas várias disciplinas e abordagens, dos debates aos concertos, das exposições às edições e, evidentemente, aos espetáculos, com destaque para as duas peças que marcam o arranque do ano teatral (e permanecem em cena até outubro). Se a nova criação do Teatro do Vestido sai porta fora (não é a única, Na Rua, proposta de Miguel Moreira com texto de José Luís Peixoto, um objeto-máquina de teatro "apanha" as pessoas que passam pela fachada do teatro, numa programação que integra o Lisboa na Rua), na Sala Garrett, Tiago Guedes leva à cena O Pato Selvagem, "uma das mais extraordinárias peças de Ibsen, que não era montada profissionalmente em Portugal há 116 anos. A primeira e única vez até hoje foi em 1900, no Teatro Nacional D. Maria II", escreveu Tiago Rodrigues, diretor.

A partir da fábula do pato selvagem que, ferido, mergulha no lago e escolhe morrer mas é salvo à força por um cão e confinado a uma existência contra a sua natureza, o dramaturgo norueguês constrói uma tragicomédia carregada de sentidos e atualidade. Ao mesmo tempo, na sala do quarto andar, recomeça o Ciclo Recém-Nascidos - "a aposta em novos projetos das mais jovens companhias e criadores em Portugal" - com Ágata Pinho e Nova criação (10, 21.30 e 11, 16.30), peça que se propõe antecipar o futuro. "Ao "e se?" da ficção científica, as quatro intervenientes no espetáculo acrescentam um "e como vamos fazer isso?". Futuro é também o que se prova nas leituras encenadas em que Beatriz Batarda, Luísa Cruz e Sara Carinhas antecipam As Criadas, de Jean Genet, (10, 17.00, Jardim do Palácio de Independência), na visão e encenação de Marco Martins (que tem estreia a 10 de novembro).

Na segunda das leituras, Procedimento Básico de Recordação e Esquecimento (10 e 11, 15.00), Alex Cassal propõe uma série de narrativas em diferentes locais do teatro. E há o Sofá Rodrigues, instalado no átrio do D. Maria II pelo seu diretor artístico (amanhã, 18.00), para receber e voltar a dar os escritos do jornalista e escritor Nelson Rodrigues - "um sofá com o apelido de ambos, onde serão lidas algumas da mais interessantes crónicas de Nelson". Ao lançamento de livros junta-se a Feira do Livro de Teatro, e continuam a exposição Teatro em cartaz: A Coleção do D. Maria II, 1853-2015, e A Visita Escocesa (10 e 11, 11.00), pelo D. Maria fora. Às noites há Concertos na Varanda com o Filipe Melo Trio (amanhã, 23.00) e os Cais Sodré Funk Connection (sábado, 23.00) e o evento encerra em festa no átrio do TNDMII, com um DJ set de Nuno Lopes (domingo, às 19.00).

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