Na noite dos The National, a festa foi de Jamie XX e dos Disclosure

O primeiro dia da 22.ª edição do Super Bock Super Rock acabou em festa e com o Meo Arena cheio, a dançar ao som da dupla britânica Disclosure, onde antes os The National deram um dos melhores concertos na sua já longa lista de atuações em Portugal.

Quando nas colunas do Meo Arena se ouviu Please, Please, Please Let Me Get What I Want, o velho tema dos The Smiths, foi como se o tempo parasse. De repente interromperam-se as conversas e bebeu-se a cerveja à pressa, afinal era este o sinal que anunciava a subida ao palco da banda mais esperada da noite de ontem, os The National.

Com esta, são já treze as ocasiões em que atuaram em Portugal, mas como mais uma vez se viu ontem é sempre como se fosse a primeira vez - e parecia mesmo que assim era, tal a portentosa atuação dos norte-americanos, a merecer entrada direta para o top 3 do seu longo currículo em território nacional.

Tal como os The Smiths, também os The National são uma banda de clássicos, como se compreende ao ouvir Don't Swallow The Cap, I Should Live in Salt ou Bloodbuzz Ohio, as três com que iniciaram o concerto. Ou até mesmo com "a nova", The Day I Die, como foi anunciada pelo vocalista Matt Berninger, no seu estilo anti-sex symbol, de óculos, barbas e uns cada vez mais longos cabelos brancos, a fazer suspirar grande parte do público feminino.

E depois vieram Afraid of Everyone e Sea of Love e todos cantaram, como acontece sempre com canções assim, que o tempo e a emoção imortalizam muito para além do tempo e do espaço. "Sentimos a vossa falta", já havia dito Matt Berninger, logo no início do concerto. E por cá, pelo que se viu, as saudades também já eram muitas, apesar de apenas terem passado dois anos desde a última visita.

A sala, que mesmo assim não estava cheia, veio novamente abaixo quando se ouviram os primeiros acordes de Fake Empire, uma das melhores canções rock da primeira década deste novo século. Foi uma das poucas que recordaram do álbum The Boxer, o disco que os transformou numas das maiores estrelas do firmamento indie rock, mas ninguém se importou, até porque o melhor ainda estava para vir, numa sequência iniciada com outro dos maiores êxitos do grupo, o épico Mr. November.

Pouco tempo depois, Matt misturava-se com os fãs das primeiras filas, regressando ao palco meio descamisado para terminar o concerto com a tradicional versão a capella de Vanderlyle Crybaby Geeks, por todos tão bem conhecida, mas mesmo assim cantada com a paixão de um primeiro encontro. Depois, saíram do palco tal como entraram, ao som de outro clássico, agora de Lou Reed e do seu Perfect Day.

Quem se então deslocou para o Palco EDP, só aí percebeu porque os The National nunca chegaram a encher a sala. Afinal, era ali que a festa, no verdadeiro sentido da palavra, estava a acontecer, com o recinto por baixo da pala do Pavilhão de Portugal totalmente lotado por gente a dançar ao som das mágicas batidas de Jamie XX.

O músico britânico, também conhecido por ser uma das partes do trio The XX, apresentou-se na sua vertente de produtor/DJ, mas foi recebido como uma verdadeira estrela rock, porque foi um verdadeiro concerto o que ali aconteceu.

Com um alinhamento que passou por diversas latitudes e épocas da música de dança, foram os temas do álbum a solo, In Colour, editado o ano passado, a provocar as maiores reações, como I Know There's Gonna Be (Good Times) ou ainda Gosh e Loud Places, os dois trunfos guardados para o final, antes de acabar ao som de um samba.

Depois, a multidão debandou, entoando cânticos dedicados a Éder, sim, a esse mesmo, o do golo, o campeão europeu, enquanto seguia a caminho do Meo Arena, para prosseguir a dança ao som da dupla britânica Disclosure. E nem uma falha técnica, a interromper a atuação a meio, esmoreceu a festa, que contou com surpresas como a presença em palco de Kwabs (atua hoje a solo no palco EDP) e pela primeira vez encheu por completo o Meo Arena, neste primeiro dia de festival.

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