Velório de Rui Valentim de Carvalho hoje na Basílica da Estrela

O velório do empresário e editor discográfico Rui Valentim de Carvalho, hoje falecido em Lisboa, realiza-se a partir das 18:00, na Basílica da Estrela, em Lisboa, informou a editora discográfica.

Segundo a mesma fonte, na terça-feira é rezada missa de corpo presente às 14:30, seguindo-se o funeral para o Cemitério dos Prazeres.

No comunicado, a discográfica realça que Rui Valentim de Carvalho, hoje falecido aos 82 anos, "colaborou com dedicação e perfecionismo com várias gerações de músicos e artistas".

"De Amália, Carlos Paredes, Alfredo Marceneiro, Carlos Ramos até aos mais recentes Rui Veloso, Jorge Palma ou Camané todos reconheciam a sua sensibilidade artística e humana", afirma a discográfica.

"Foi inestimável a ação que prestou na renovação e divulgação do Fado", acentua a editora, lamentando que "a doença que o vitimou roubou-lhe a alegria de ver a música que amava ser classificada Património Imaterial da Humanidade".

David Ferreira, sobrinho de Rui Valentim de Carvalho, destacou a "pessoa muito generosa" e o "homem de visão" que, com sua mulher, Maria da Graça, "tornou a Valentim de Carvalho [VC]", fundada pelo seu irmão, em 1914, "na grande empresa de referência".

"A ele se deve a rede de lojas e a grande expansão da empresa", sublinhou.

Editor de Amália Rodrigues (1920-1999), de quem foi amigo, "teve um papel importantíssimo na divulgação da música africana", recordou David Ferreira.

Referindo-se ao seu percurso, David Ferreira recordou que, "aos 15 anos, Rui Valentim de Carvalho foi para a EMI, em Inglaterra, onde trabalhou na fábrica no Essex, nos estúdios da Abbey Road e até na loja da His Master Voice, em Londres, a vender discos; esteve num treino intensivo".

Rui Valentim de Carvalho, que "sempre gostou de máquinas, tinha um especial gosto pelas novas tecnologias" e a ele se deve a construção dos estúdios da Valentim de Carvalho em Paço de Arcos, inaugurados em 1963, um projeto do arquiteto Conceição Silva, assistido por Tomás Taveira.

Os estúdios, assim como a antiga loja da VC, em Cascais, "são dois marcos da arquitetura portuguesa da década de 1960".

Pelos estúdios de Paço de Arcos, considerados os mais bem equipados tecnologicamente, passaram desde Amália Rodrigues a Carlos Paredes e António Variações, António Mourão, Simone de Oliveira, os Pontos Negros e o Duo Ouro Negro, entre outros.

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