Robbie Williams, o mestre de cerimónias por excelência

59 800 pessoas estiveram, este domingo, no Parque da Bela Vista para ver o concerto do cantor britânico, onze anos depois da sua última passagem por Portugal.

Se o último álbum de Robbie Williams podia fazer antever um espetáculo recatado e conformado na herança do swing a que se tem dedicado nos últimos tempos, mal entrou em palco percebeu-se que aos 40 anos o ex-Take That continua um mestre do entretenimento irrepreensível.

Entrou vestido de fraque de gala, com direito a luvas brancas e tudo, liderando uma pequena "orquestra", também ela vestida com fatos de gala. No entanto, esse "rigor" no vestuário não significou que o cantor britânico tenha perdido a dose de rebeldia que o caracterizou ao longo da carreira.

Iniciou o espetáculo com uma sucessão de êxitos. Primeiro com Let Me Entertain You, seguindo-se Let Love Be Your Energy e Monsoon. Desde logo provou como sabe conduzir um espetáculo de massas, agarrando o público não só com uma boa interpretação do seu repertório, mas mostrando um excelente sentido de humor.

Chegou mesmo a pedir ao público, mais que uma vez, para lhe gritarem "Robbie, não engordes outra vez", mais precisamente depois de ter passado por We Will Rock You, dos Queen, e I Love Rock 'n' Roll, de Joan Jett.

Não foram as únicas versões que incluiu neste que foi o seu primeiro concerto em Portugal desde 2003. Por exemplo, cruzou a sua Come Undone com Walk On the Wild Side, de Lou Reed, e Still Haven't Found What I'm Looking For, dos U2.

No entanto, quando recorria a canções alheias a sua personalidade de entertainer, por excelência, e o seu carisma eram sempre privilegiados. Foi o que aconteceu quando chamou à frente de palco alguns dos seus músicos para uma versão à capella de Ignition, de R. Kelly, canção que é já um "clássico" do r&b moderno.

Não faltaram os verdadeiros clássicos da história da canção americana que lhe têm servido de inspiração nesta fase recente do seu percurso. Ritz e Moocher foram dois desses temas, bem como New York New York, sendo que este último teve como introdução Empire State of Mind, de Alicia Keys.

Kids, a canção que na versão original era interpretada com Kylie Minogue, contou agora com o apoio de duas das vozes do seu coro, seguindo-se mais duas versões, de duas bandas que, em tempos, foram consideradas "rivais": Wonderwall, dos Oasis, e Song 2, dos Blur. Durante Wonderwall nem faltou a pose à la Liam Gallagher.

As quase 60 mil pessoas que acorreram à Cidade do Rock receberam estas versões com igual entusiasmo às originais de Williams.

Candy, um dos seus mais recentes singles, mostrou como o cantor continua a produzir belíssimos momentos pop açucarados, mesmo que alguns já não tenham a mesma atenção mediática de outros tempos.

Ainda assim, foi com dois dos seus maiores êxitos que Robbie Williams encerrou este espetáculo, que se ficou pela uma hora e um quarto. Primeiro foi com Feel e a seguir Angels, ambas excelentes exemplos do que é a pop de estádio.

Esta última foi antecedida de uma pequena provocação do cantor. "Não posso deixar que os Oasis me vençam no meu próprio espetáculo", afirmou. E, como é óbvio, não venceram, porque quase 20 anos depois de ter abandonado os Take That e de ter decidido arriscar-se a solo, Robbie Williams mantém-se um senhor do entretenimento pop, como ficou mais que provado neste primeiro dia de Rock in Rio-Lisboa.

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