O jazz do presente em edição comemorativa

Foi hoje apresentada em conferência de imprensa a programação do festival Jazz em Agosto, que decorre entre 2 e 11 de agosto, na Fundação Calouste Gulbenkian, e comemora este ano a sua 30.ª edição.

Não é só o festival que entra na sua terceira década - o Centro de Arte Modena (CAM), também comemora os 30 anos da sua abertura. Celebrando a ligação do CAM à génese do Jazz em Agosto, a primeira novidade é um concerto especial que funcionará como pré-inauguração do festival, no dia 25 de Julho.

O concerto, no habitual Anfiteatro ao Ar Livre, ficará a cargo do novo projecto da cantora Maria João, OGRE, numa escolha que não é casual, uma vez que o primeiro concerto da primeira edição do Jazz em Agosto, em 1983, esteve também a cargo de Maria João.

Esta é, aliás, uma premissa condutora da programação do festival: evocar músicos que já estiveram presentes em edições anteriores, servindo como forma de homenagem. Rui Neves, director artístico do Jazz em Agosto, disse ao DN que "é natural convidar alguns nomes que já cá passaram, é algo lógico. Mas eles não se apresentam da mesma maneira, estão sempre a evoluir e trazem projectos novos, de agora, do presente".

Um dos músicos que merece destaque especial na programação é John Zorn. O norte-americano, que comemora este ano 60 anos, terá a seu cargo a abertura do festival, no dia 2, para além de outros dois concertos, em vertentes diferentes da sua composição musical. "Devido ao facto de ele fazer 60 anos, achámos graça a associarmo-nos a isso, ele continua muito criativo e a fazer coisas com interesse", afirmou Rui Neves. Entre os projectos de John Zorn, inclui-se Essential Cinema, um projecto de composição de música para filmes em tempo real, que resulta num concerto no dia 3 em que durante a atuação serão exibidos alguns filmes .

Entre os restantes nomes que estão de volta ao festival, todos trazem projectos que se apresentam pela primeira vez em solo nacional e até mesmo no contexto europeu. No dia 6, o trio nórdico Elephant9 apresenta-se com Reine Fiske na guitarra eléctrica. The Thing XLL , um septeto que deve o nome XXL à sua composição, conta com Paal Nilsen Love na bateria e Peter Evans no trompete, ambos músicos que já marcaram presença em várias edições anteriores. No dia seguinte, 8 de agosto, Peter Evans apresenta-se em octeto, numa estreia que é europeia. Anthony Braxton atua no dia 9 ,em quarteto, contando com Mary Halvorson na guitarra elécrica. No dia seguinte, a guitarrista norte-americana apresenta o seu mais recente quintento.

A encerrar o Jazz em Agosto, Pharoah & The Underground, dois trios unidos que deram origem a um sexteto que se apresentou pela primeira nos Estados Unidos, no ano passado. O saxofonista Pharoa Snaders colaborou com John Coltrane na década de 60.

O cinema é uma dimensão que tem sido acrescentada no festival nos últimos anos, com a integração de filmes na programação. Nos dias 3 e 4 de agosto, terá lugar o ciclo John Zorn, um conjunto de quatro filmes escritos e produzidos pelo músico, que foram apresentados no New York Film Festival, em 2012. Entre 5 e 9 de agosto, será exibida a série documental aTensãoJAZZ, que conta uma história do Jazz em Porugal, da autoria de Rui Neves e realizada por Paulo Seabra, que foi passou na RTP2, em 2011.

Nos últimos dois dias, 10 e 11 de agosto, duas sessões de cinema especiais, com dois concertos gravados pela RTP, nas edições do Jazz em Agosto de 1985 e 1987. Os filmes serão exibidos na Sala Polivalente do CAM , sempre às 18.30, antecedendo os concertos. Ainda em âmbito comemorativo, será lançado um livro ensaístico que conta com 50 textos sobre músicos seleccionados, encomendados pela Gulbenkian a Stuart Broomer, Bill Shoemaker e Brian Morton, críticos de jazz. Os concertos do Jazz em Agosto têm início às 21.30, no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Calouste Gulbenkian.

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