Kanye West: o topo do mundo é dele

Nem todos compreenderam o espectáculo que Kanye West trouxe ao Sudoeste mas a unanimidade não é certamente um dos objectivos de uma produção dividida em três actos.

Chamar-lhe um concerto de 'hip hop' é pecar por defeito: todo o conceito obedece a uma ideia maior de procura de um Santo Graal artístico inclassificável em que se cruzam canções, coreografias e um aparato visual que chega a lembrar o Cirque du Soleil.

Kanye comunica com a música e raramente se dirige ao público; a cultura da proximidade local é-lhe completamente indiferente. Por isso, não se avistam bandeiras de Portugal em palco como aconteceu, por exemplo, com Snoop Dogg.

O início do espectáculo faz prova das suas intenções. West descobre-se num "pedestal", um suporte elevado, colocado perto da mesa de som para o efeito, como que assumindo o patamar em que se encontra e a procura incessante por algo ainda não inventado.

Nem sempre consegue encontrar a originalidade que tanto persegue mas nunca deixa de conquistar o respeito que lhe é devido. O momento de maior empatia viria a dar-se depois de se dirigir frontalmente ao público, o que aconteceu antes de "Gold Digger".

Sem banda mas com três músicos concentrados nos sintetizadores, as 40 bailarinas adornaram uma actuação memorável por todo o rasto que deixa na memória. Houve fogo-de-artifício com recorrência e pirotecnia a rodos.

Kanye West está no topo do mundo e mostrou porquê.

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