Festival de música tecno a 30 graus negativos

Ao ritmo da tecno, uma pequena multidão vestida como se fosse para uma expedição polar, dança ao ar livre no Velho Porto de Montreal, no Canadá, na 7.ª edição da Igloofest. Apesar da vaga de frio.

Algumas dezenas de pessoas, esperando a chegada do DJ, "aquecem a pista de dança", conta Mélanie Bilodeau, uma trintona do Quebec fã deste festival de música único no mundo. "Gosto disto demasiado para ficar em casa. Passei a minha infância a brincar na rua no inverno, por isso o frio não me mete medo", afirma, bem agasalhada em múltiplas camadas de roupas.

No exterior, e com a ajuda do vento, as temperaturas chegam aos 31 graus negativos. Uma vaga de frio polar atinge o norte dos EUA e Canadá e uma subida das temperaturas não é esperada antes de segunda-feira.

"Venho todos os anos, o mundo está lá fora, independentemente do tempo. A música é boa, é divertido, o ambiente não é o mesmo de um bar", assegura Marjorie Fortin.

Prova do seu sucesso, o festival estende-se este ano durante quatro fins de semana, até 9 de fevereiro, ao longo de 12 dias, e espera um recorde de visitantes. No fim de semana de abertura, estiveram 18 mil pessoas.

Os fãs do inverno incondicional afluem às centenas. "Venho para aproveitar o inverno", afirma Tobie Charete, com uma bebida energética na mão, abrigado do vento num hemiciclo de vidro diante de um braseiro.

"Antes, no inverno, tinhamos tendência para ficar dentro de casa e não fazer nada. Agora, há cada vez mais atividades organizadas no exterior, só precisamos de nos agasalhar", acrescentou, apesar de admitir que a temperatura está nesta noite "particularmente extrema".

"A meteorologia, no início, era um factor que desencorajava as pessoas", reconhecia o porta-voz do evento, François Fournier, entre dois golos de vinho quente aromatizado com gengibre.

"Mas a Igloofest tornou-se num evento que aquece o mundo, há verdadeiramente um espírito de festa e a palavra foi passando. De facto, parece que quanto mais frio está, mais as pessoas sentem que é um desafio: no ano passado, numa noite em que estavam 25 graus negativos, tivemos mais de dez mil pessoas."

No ano passado, 70 mil pessoas dançaram ao som das músicas de DJ conhecidos no mundo inteiro, incluindo vários europeus, no meio de ecrãs gigantes com espetáculos de luz imaginados por artistas de renome.

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